O projeto do Centro de Esporte e Lazer para Crianças Atípicas (Celpa) foi apresentado na Câmara Municipal de Vereadores de São Leopoldo na noite desta quarta-feira (23). A iniciativa, do deputado federal Danrlei de Deus (PSD), é viabilizada a partir da articulação do vereador Marcelo Pìtol (PSD), em conjunto com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel). A apresentação foi ministrada pelo diretor de Esporte do município, Edimilson Tresoldi, apelidado de Dimi.
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Foto: Amanda Krohn/Especial
O Celpa, que deve ser construído abaixo das pirâmides do Largo Rui Porto (Avenida Dom João Becker, 261), é inédito no país e tem como objetivo possibilitar que crianças neuroatípicas tenham acesso a atividades esportivas de forma adaptada a elas. Considera-se como neuroatípicas, em geral, as pessoas que têm transtornos neurobiológicos ou do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Síndrome de Down.
A apresentação contou com a presença de diversas pessoas da comunidade e representantes de associações voltadas à causa neuroatípica no município, como a Associação de Amigos do Autista (AMA), Associação Leopoldense de Deficientes (Aldef), e a TEApoia.
De acordo com o chefe de gabinete João Luis Grando, que representou o deputado federal na apresentação, afirma que a emenda parlamentar estimada para o projeto é de R$ 400 mil. “Acredito que vamos conseguir repassar a emenda ainda neste ano, para no final do ano poder iniciar as obras”, pondera.
Inclusão social
Marcelo Pitol comenta sobre a articulação do projeto. “A gente construiu em conjunto com o secretário Éverton Vanoni [da Semel], com o Dimi, com o deputado federal Danrlei, com quem buscamos a emenda e construímos o projeto, então conversei com o prefeito Heliomar Franco e a gente escolheu aquele local, que já está praticamente pronto, tem o telhado, a estrutura, e vamos adaptá-lo”, descreve.
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Para Vanoni, a iniciativa é fundamental. “É um projeto com uma perspectiva inclusiva. É oferecer espaços, centros para pessoas neuroatípicas e partilhar esses espaços de uso comum para que haja uma troca de experiências entrec crianças típicas e neuroatípicas”, argumenta. “Haverá atividades tanto de cunho individual como coletivo, miniquadras, brinquedos específicos para as crianças, com uma gama de objetivos incluídos no mesmo complexo”, continua.

Foto: Amanda Krohn/Especial
O que terá no Celpa
O projeto, segundo Edimilson Tresoldi, separa o Centro entre as estruturas 1 e 2. Conforme a descrição, a Estrutura 1, fechada com cercas, será dividida em sessões separadas por tela de malha e diferenciadas entre si pelas características de seus espaços, que devem contar com quadras de mini esportes, espaços voltados a atividades de equilíbrio e coordenação motora, terapia ocupacional e musicoterapia, playground, e outros.
A estrutura 2, por sua vez, é planejada como um espaço aberto e acessível às crianças típicas e atípicas. Também será dividida em sessões, que devem contar com quadras de mini Tênis, mini Vôlei e Mini PickleBall, espaço administrativo com banheiros, dormitórios e guarda-volumes e playground.
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Edimilson Tresoldi explica os benefícios do projeto. “Uma criança neurotípica muitas vezes é barulhenta, agitada, corre bastante… mas uma criança neuroatípica nem sempre se sente à vontade com isso. Por isso, o Celpa contará com espaços fechados para essas crianças. Não como uma forma de segregação, mas para que elas possam praticar o esporte com segurança e tranquilidade”, diz.
“Além disso, pensamos também nos pais. Eu sou pai de um menino com TEA de grau dois, de 7 anos, e sei que às vezes eles soltam da nossa mão e saem correndo. A gente fica com medo de perder eles. No Celpa, os pais vão ter um espaço em que podem ficar tranquilos, tomando um chimarrão, e seus filhos vão poder soltar a mão com segurança”, acrescenta.