O percentual de faltas de pacientes a consultas e exames agendados na rede pública de saúde leopoldense chama atenção e preocupa autoridades do setor, que já estudam ações para conscientizar sobre o assunto.
Conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsad), somente nos meses de fevereiro, março e abril deste ano, o percentual de faltas injustificadas a consultas e exames chegou a 14,45%. No total, somando os três meses, foram 20.129 agendamentos em 65 especialidades de saúde distintas, sendo que 2.910 faltas foram registradas.
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Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial/Arquivo
Confirmação
Titular da Semsad, Kelbe Gonçalves lembra que a secretaria envia a confirmação ao paciente pelo WhatsApp a fim de lembrar da consulta, assim como para exames. “Enviamos 48 horas antes a confirmação de ecografia para as gestantes, por exemplo, com o intuito de dar qualidade a esse setor materno-infantil”, coloca, avaliando que a população precisa se educar quanto ao tema. “Precisa que a população tenha essa responsabilidade de comparecimento nas consultas”.
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Custos
Kelbe lembrou também que o absenteísmo acaba gerando gastos aos cofres públicos e deu exemplos de especialidades que têm registrado faltas. “Nós ampliamos a agenda de neurologia, mas entre 30 consultas de um dia, pelo menos 10% acabam não comparecendo”, cita. “Nos exames com custo maior e que demandam preparação, como endoscopia e colonoscopia, as pessoas vêm retirar o preparo, a medicação, mas se acabam não indo, o custo existe igual. Além do gasto com medicamento, não podemos encaixar outro paciente no lugar. E a hora médica é paga igual, porque o profissional está ali pra cumprir a carga horária”, acrescenta.
Campanha deve ser lançada
Para tentar chamar a atenção da população sobre a importância do tema e conscientizar sobre o absenteísmo na saúde leopoldense, a Semsad planeja lançar uma campanha em breve. “Vamos passar os dados à comunicação, para fazermos um material informativo físico e colocarmos nas nossas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), conscientizando que caso a pessoa não consiga comparecer, ela pode fazer contato pelo Zap da Saúde, para que a gente possa chamar outro paciente em seu lugar”, exemplificou a secretária Kelbe.
“Nessa campanha de divulgação também vamos solicitar que a população atualize o seu cadastro, porque algumas pessoas mudam de telefone, por exemplo. A gente faz três tentativas em dias e horários diferentes para contatar o paciente, se em nenhuma a gente conseguir, pulamos para outro”, detalha, lembrando que tudo fica registrado no sistema da saúde.
O Zap da Saúde leopoldense é o WhatsApp (51) 9 9557-8541.
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Alguns dados de absenteísmo por especialidade:
– Atendimento odontológico especializado: teve média de 26,39% de faltas de fevereiro a abril, sendo fevereiro o pior mês, com 27 faltas nas 56 consultas marcadas, o que representa mais de 48% de absenteísmo;
– Audiometria: teve média de 27,19% de absenteísmo nos três meses, sendo que, somente em abril, em quase metade dos exames marcados, os pacientes não compareceram (eram 101 agendados e houveram 51 faltas);
– Cirurgia ambulatorial: média de quase 11% de absenteísmo no período
– Cirurgia de cabeça e pescoço: média de 17% de absenteísmo de fevereiro a abril;
– Dentista: média de 24,47% de faltas nos 3 meses avaliados, sendo que, apenas em fevereiro, foram 30,77%;
– Ecografia: teve média de 13,95%. Só em abril, foram 101 exames marcados e 28 faltas, o que represente 27,72%;
– Ginecologista: média de pouco mais de 18% de faltas nos três meses. Em fevereiro, por exemplo, 373 consultas na especialidade foram marcadas e pacientes não compareceram em 77 delas, totalizando 20,64%;
– Neurologia Adulto: média de 18,53% de absenteísmo. Somente em março, foi 27,54%, com 19 faltas em 69 consultas;
– Nutrição: média de 28,79% de faltas no período. Apenas no mês de março, foram 138 marcações e 43 faltas, representando 31,16%;
– Pediatria: mais de 21% de faltas de fevereiro a abril. Em março, foi quase 26%, com 535 consultas marcadas e 139 faltas.
– Pneumologia Pediátrica: teve média de 18,47% de faltas nos três meses divulgados.