A revitalização da Casa do Imigrante não tem data para iniciar. Isso porque, conforme o secretário-geral de Governo de São Leopoldo, Leonardo Klaus, não é analisado apenas a deterioração da estrutura para atualização do projeto, mas também as condições para sua manutenção — cuja dificuldade, vale lembrar, foi a causa de sua desativação em 2014 e desabamento em 2019.

Foto: Amanda Krohn/Especial
A análise, conforme Klaus, chegou a ser interrompida durante alguns meses para priorizar obras como das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), e foi retomada na segunda-feira (4).
“O projeto do Iconicidades foi elaborado em 2023, porém, desde então, a Casa sofreu novos prejuízos em sua estrutura, então temos que fazer a atualização do projeto e seu orçamento”, diz o secretário. “Além disso, temos que avaliar também as condições de manutenção dessa estrutura. Não queremos utilizar dinheiro público para fazer a obra e entregar um local sem poder garantir que ele terá uma manutenção adequada depois. A revitalização está entre nossas prioridades, mas temos que fazer com cuidado”, acrescenta.
Tal manutenção é de responsabilidade do Museu Visconde de São Leopoldo. No entanto, conforme já relatado pelo presidente da entidade, Cássio Tagliari, em diversas oportunidades e confirmado por Leonardo Klaus, a instituição é mantida por voluntários, o que dificulta investimentos como este.
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O local fazia parte da Real Feitoria do Linho-Cânhamo, uma grande fazenda mantida por famílias portuguesas, que abrigou as primeiras famílias alemãs no Brasil em julho de 1824. Por isso, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae/RS) desde 1992 na cidade que recebeu o título oficial de Berço da Colonização Alemã no Brasil pelo governo federal em 2011.

Foto: Amanda Krohn/Especial
Interrupção para priorizar UBSs
Inicialmente, o projeto, elaborado por meio do projeto Iconicidades, do Estado, foi orçado em R$ 607,3 mil, enquanto as obras eram avaliadas em torno de R$ 5 milhões.
O projeto visual foi apresentado à Prefeitura no dia 23 de janeiro deste ano, quando a informação dada era de que a licitação de uma empresa para início das obras começaria a ser elaborada no dia 27 do mesmo mês, quando iniciaria o ano fiscal.
No entanto, em reportagem publicada em março deste ano, a Secretaria de Cultura e Relações Internacionais (Secult) leopoldense, afirmava que o projeto precisava passar por uma etapa de atualização orçamentária.
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Leonardo Klaus revela que o trabalho de atualização foi interrompido temporariamente para priorizar obras como das UBSs. “O projeto é de responsabilidade da Secult, mas a Secult não tem engenheiro, então o órgão que cuida dele é o Depro (Departamento de Projetos) da Secretaria Geral de Governo (SGG). Porém, o Depro também é responsável por outras obras, como por exemplo, de escolas e UBSs. E no início da gestão, priorizamos as UBSs.”

Foto: Divulgação
O que o projeto inclui
Contemplado pelo programa Iconicidades, o projeto foi selecionado em 25 de julho de 2022. A empresa vencedora da seleção para o restauro foi a Solls Arquitetura.
Lançado em junho de 2021, o Iconicidades tem o objetivo de identificar e revitalizar arquiteturas simbólicas em todo o Rio Grande do Sul, conforme material do governo do Estado.
O projeto prevê restauro arquitetônico; estrutural; instalações sanitárias; luminotécnico; prevenção e combate a incêndio; ventilação, exaustão e climatização; acessibilidade; arquitetura paisagística; e urbanismo setorial. Com a reforma, o local contaria ainda com estacionamento, espaços livres para lazer e esportes, bar/cafeteria com capacidade para 25 pessoas, exposição interativa, sanitários públicos, sala de pesquisa, área de recreação infantil e diversas outras atrações voltadas à população.