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"Vamos chegar em mais um inverno sem proteção": moradias e alagamentos são temas de protesto em São Leopoldo

Agilidade foi cobrada das esferas federal, estadual e municipal durante ato nesta segunda-feira; prefeito Heliomar Franco recebeu manifestantes

Priscila Carvalho
Publicado em: 24/03/2026 às 09h:48 Última atualização: 24/03/2026 às 09h:48
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Centenas de pessoas participaram de manifestação organizada pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), na manhã desta segunda-feira (23), que percorreu ruas da região Nordeste e Centro de São Leopoldo.

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O objetivo foi cobrar agilidade no andamento das obras de reconstrução pós-cheia, como diques e casa de bombas, e a autorização para o início da construção de dois conjuntos habitacionais na região Nordeste da cidade – que tiveram contratos assinados junto à Caixa Econômica Federal em novembro de 2024.



Com palavras de ordem, faixas e bandeiras, os participantes saíram da Estação Rio dos Sinos da Trensurb em caminhada, que passou por vias do Centro, fazendo uma parada em frente à agência da Caixa Econômica Federal na Rua Independência, e terminou junto à Prefeitura Municipal. No local, acompanhado dos secretários Geral do Governo, Leonardo Klaus, e da Habitação, o prefeito Heliomar Franco recebeu uma comissão de representantes do ato.

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Habitação

Dirigente do MNLM, Cristiano Schumacher explicou que o protesto abordou dois grandes temas principais, voltados à reconstrução após a enchente de 2024 e também à produção habitacional. “Há dois conjuntos habitacionais já contratados pelo governo federal: o Residencial Mauá-Sinos e o Loteamento Steigleder, ambos na região Nordeste, próximos da Estação Rio dos Sinos, aonde a prefeitura precisa simplesmente autorizar o início da obra, dando ponto de água, dizendo aonde o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgotos) vai abastecer”, explicou.

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Os projetos estão vinculados ao Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades (PMCMV-E) e devem contemplar 346 famílias das duas comunidades.

“Vamos chegar em mais um inverno sem proteção”

Os alagamentos observados nas últimas chuvas também foram pauta do protesto. “Temos aqui famílias da Vicentina, que na semana passada ficaram de novo na situação de alagamento. Aqui também temos o povo da região Nordeste, que, cada vez que chove, vai olhar os valões pra ver se não vai extravasar”, complementa Schumacher.

Outra cobrança é a de que os governos deem maior velocidade à execução das obras contra as enchentes. “Nós vamos chegar em mais um inverno sem proteção, sem nem saber pra que lado ir no caso de desastre de novo”.

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O dirigente destacou que o movimento é uma jornada nacional e que ele buscou fazer cobranças às três esferas de governo: federal, estadual e municipal. “Ele também exige, do presidente Lula, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida – Entidades para 60 mil unidades”, cita. Além disso, a ação cobra a reorganização da Caixa Econômica Federal, que, segundo Schumacher, sofreu um desmonte em governos anteriores, o que emperrou a análise de projetos.

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Moradora aguarda casa

Coordenadora da Ocupação Mauá, Vanusa Antunes de Sá, 37 anos, foi uma das participantes da caminhada. Ela conta que está em Aluguel Social e que há 1 ano e 4 meses aguarda o andamento dos projetos Loteamento Steigleder Residencial Mauá-Sinos e, em que será uma das beneficiadas. “Não saiu do lugar em nenhum momento. Continua os espaços todos vazios lá. Não foi feito nada”, diz, lembrando os constantes alagamentos que enfrenta com as chuvas. “Toda vez temos que erguer os móveis. Nós não temos ajuda. Precisamos que liberem as nossas casas, que já nos foram dadas.”

Prefeito Heliomar Franco recebeu representantes da MNLM e de comunidades que participaram da manifestação



Prefeito Heliomar Franco recebeu representantes da MNLM e de comunidades que participaram da manifestação

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

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Prefeito buscará medidas para superar entraves

Ao chegar na prefeitura, uma comissão formada por representantes do MNLM e das comunidades envolvidas foi recebida pelo prefeito Heliomar Franco.

No encontro, a dirigente nacional do MNLM e arquiteta responsável pelos projetos residenciais, Andreia Camillo Rodrigues, explicou que uma das etapas em discussão envolve a instalação de um ponto de tomada de água na região, o que deve ser indicado pelo Semae. “Viemos ouvir o prefeito sobre esse assunto e entender como daremos seguimento ao projeto”.

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O prefeito se comprometeu a buscar respostas. “Tenho esse compromisso com vocês de me reunir com os técnicos do Semae e com a Secretaria de Obras para gente entender isso e bolar um plano para superar esses entraves”, disse, lembrando que também será necessário viabilizar os recursos para a continuidade das ações.

No dia 13 de abril, uma nova audiência deve ocorrer, junto ao governo municipal e o Ministério público, que acompanha os projetos.

Em resposta à questão dos alagamentos, o prefeito citou as medidas que estão sendo adotadas pela administração municipal, como o desassoreamento do Arroio Gauchinho, e o estudo inicial para a construção de uma nova Casa de Bombas e de um canal de drenagem na região da Vicentina.

Avanços

Durante o encontro, o prefeito destacou os avanços do município na área e ressaltou os desafios enfrentados pela gestão quando assumiu em 2025. Ele enfatizou que a retomada da capacidade de investimento da cidade é fundamental para viabilizar novos empreendimentos.

“Temos objetivos comuns e faremos acontecer esses projetos, mas precisamos de suporte em investimentos. O município não tinha condições financeiras nem capacidade de obter financiamento. Em um ano, conseguimos avançar com o PAC Steigleder. Diminuímos a contrapartida da prefeitura de R$ 16 milhões para R$ 600 mil, o que torna possível essa grande obra. Além disso, iniciamos o Desassorear RS e aderimos ao plano de equilíbrio fiscal do governo federal, o que possibilita acesso a financiamentos com juros menores. Isso também terá impacto direto nas políticas de moradia”, declarou Heliomar.

Centenas de pessoas participaram de manifestação do Movimento Nacional de Luta pela Moradia

 

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