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RESSIGNIFICAÇÃO

VIVA PERIFA: Projeto traz vida nova a escolas atingidas pela enchente em São Leopoldo

Ação de 2024 deve voltar com oficinas que ocorrerão a partir de março

Publicado em: 19/02/2025 às 15h:20 Última atualização: 19/02/2025 às 17h:24
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Devolver a dignidade aos alunos de escolas atingidas pela enchente em São Leopoldo. Este é o objetivo do Projeto Viva Perifa que, em 2024, levou grafite aos muros de três escolas afetadas pela cheia: as Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs) Castro Alves, Rui Barbosa (ambas no bairro Vicentina) e Francisco Cândido Xavier (no bairro Santos Dumont).

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O projeto é idealizado pela CEO da Yabá Consultoria em Gestão Sustentável e Investimento Social, Andrea Moreira (que também é especialista em Gestão Sustentável), incentivado pela Leroy Merlin e coproduzido pela Aflora Cultural. Aprovada pelo Ministério da Cultura, a iniciativa passou a integrar o plano de apoio ao Rio Grande do Sul.

Melissa, diretora da Emef Chico Xavier, mostra o anjo desenhado para homenagear o aluno que faleceu devido a afogamento no Rio dos Sinos



Melissa, diretora da Emef Chico Xavier, mostra o anjo desenhado para homenagear o aluno que faleceu devido a afogamento no Rio dos Sinos

Foto: Amanda Krohn/Especial

A partir de março de 2025, conforme Andrea, essas escolas contempladas também com oficinas que abrangem artes visuais, pintura acrílica e criatividade. A Emef João Goulart, do bairro Santos Dumont, também deve ser beneficiada, além de escolas em Porto Alegre que serão definidas em breve.

Ressiginificação

“O Viva Perifa tem um propósito de levar a arte urbana para regiões periféricas, então traz um olhar de valorização dos artistas que trabalham com grafite, a favor da população infanto-juvenil de escolas públicas. E com o que aconteceu em 2024, por conta das chuvas, a gente tomou a decisão de realizar essa iniciativa no Rio Grande do Sul, nas cidades mais impactadas”, afirma Andrea Moreira.

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Conforme a empresária, o propósito era ajudar os estudantes a ressignificar a forma de viver após as enchentes. Dentre esses alunos está Gustavo Siqueira, de 14 anos, do nono ano da Emef Chico Xavier e filho da porteira Sueli Siqueira, 46. “Ele ficou alguns meses em casa e na época, ele ficou em choque. Não acreditava naquilo que ele estava vendo e demorou para convencer ele a voltar para casa. Demorou mesmo, voltou só na semana em que voltou as aulas”, diz a mãe. “Ele gostou muito da pintura no muro, achou muito bonita e interessante”, acrescenta.

Arte fornecida pelo projeto Viva Perifa estampa os muros e a caixa d'água da Emef Chico Xavier



Arte fornecida pelo projeto Viva Perifa estampa os muros e a caixa d’água da Emef Chico Xavier

Foto: Amanda Krohn/Especial

Arte significativa para a comunidade

A diretora Melissa da Rosa Wonghon, da Emef Chico Xavier, comenta que a parceria surgiu na hora certa. “Foi bem importante, porque o projeto veio no momento em que a gente tava retornando a organização da escola e as obras por causa da enchente. Então ele ter essa proposta de colorir foi essencial, porque a nossa escola sempre foi bem colorida e nós passamos por maus bocados aqui.”

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Para Melissa, o contato com a artista responsável pelo grafite em sua escola, a Marília Drago, foi uma etapa fundamental. “Ela foi a artista designada para nós e já tinha um projeto, mas a gente conversou e ela mudou completamente o que ela tinha pensado. Foi super aberta, levou bem de boa as ideias que a gente, da equipe diretiva, trouxe”, elogia. “Uma semana antes de a gente fechar o projeto com ela, um dos nossos alunos morreu afogado no Rio dos Sinos, então a gente pediu para incorporar ele no projeto e ele está lá, sentado, com asas de anjo”, continua.

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Papel pedagógico

Andrea Moreira destaca que as oficinas a serem realizadas a partir de março não apenas contribuem com a superação dos desafios importos pela enchente, mas também possuem um importante papel pedagógico para os alunos. “Elas contribuem para a educação no século 21, onde o desenvolvimento de soft skills (habilidades comportamentais) é fundamental para o crescimento cognitivo, social, emocional e profissional”, destaca. “Quanto mais acesso à arte e à cultura os jovens tiverem, mais preparados estarão para o mercado de trabalho e para a convivência em sociedade”, continua.

Ela explica que este desenvolvimento se dá durante o processo criativo necessário durante os trabalhos artísticos. “Vai contribuir para a sensibilidade, para as questões emocionais e para o pensamento crítico. Então, assim, vêm muitas competências que são necessárias também: iniciativa, diálogo, senso de estética, tudo isso necessário para o mundo profissional e necessárias nos tempos de hoje, em que somos permeados pela tecnologia.”

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