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ON THE ROAD

Vida motorhome atrai pessoas da terceira idade que buscam se manter ativas

Casais mais velhos deixam o conforto de casa para viver em motorhomes e conhecer novos lugares e pessoas

Publicado em: 30/05/2025 às 07h:00
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Trocar a vida dentro de casa e trocá-la por uma rotina nômade na estrada é uma decisão que vem atraindo mais pessoas a cada dia. O estilo de vida ganhou o nome de caravanismo, uma forma de resumir a vida de quem colocou a casa dentro de um motorhome e optou por viver uma vida On The Road, tal como a geração beat que no livro do escritor Jack Kerouac viu o estilo de vida ganhar destaque.

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Othello Oliveira Fabião, Sergio Nicolao Kroeff, Leni Lersch Kroeff e Anita Garcia Fabião | abc+



Othello Oliveira Fabião, Sergio Nicolao Kroeff, Leni Lersch Kroeff e Anita Garcia Fabião

Foto: Eduardo Amaral/GES-Especial

Só que diferente do que imaginava o escritor estadunidense, o caravanismo tem se mostrado uma escolha de via para quem chega à terceira idade. Ao longo da última semana a cidade de Sapiranga reuniu mais de 100 veículos-casa no Parque do Imigrante durante a primeira edição da Semana do Caravanismo da cidade.

Entre as pessoas que se reuniram no local, o casal Othello Oliveira Fabião, 84 anos, e Anita Garcia Fabião, 82 anos, chamava atenção como o mais velho entre o grupo de pessoas que estacionaram seus veículos no parque.

“Há três anos com o motorhome, compramos na época da Covid. Mas mesmo antes a gente já quase fazia isso com o carro, só rebatia o banco para trás. Como aconteceu muito de ter que dormir no carro, compramos o motorhome”, lembra Othello. O casal chegou a Sapiranga depois de uma viagem pelo Nordeste brasileiro durante 48 dias, circulando mais de 10 mil quilômetros.

Estilo de vida

Moradores de Garopaba, o casal natural de Pelotas, conta que quando anunciaram a decisão de comprar o motorhome, ouviram reações de susto dos filhos e familiares. Mas alheios às críticas e surpresas, o casal encontrou na estrada a melhor forma de viver a terceira idade.

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“O que vier daqui para frente é lucro. Se eu tiver só mais um ano está ótimo, mas eu não quero ficar sentado, aplastado no sofá vendo televisão, dentro de casa, isso não é vida”, explica Anita, professora aposentada que agora é a motorista oficial da dupla.

Seguindo a mesma filosofia da esposa, Othello destaca as amizades criadas na estrada. “Manter esses vínculos quando a gente fica mais velho é também uma forma de se manter ativo e ainda ter validade”, resume Othello, engenheiro agrônomo também aposentado.

Entre as amizades que a estrada fortaleceu, está o casal Sergio Nicolao Kroeff, 78 anos, e Leni Lersch Kroeff, 77 anos. Naturais de Montenegro, os dois também vivem em Garopaba, e a estrada se tornou um outro local para fortalecer ainda mais a amizade, embora os dois viagem com menos intensidade que os amigos. “Fazemos muita amizade, e temos muitas lembranças.Parece que a gente já conhece o pessoal, todos têm o mesmo espírito e o mesmo objetivo”, destaca Sérgio sobre a experiência na estrada.

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“Chegamos nos acampamentos assim, quando está se instalando sempre vem três, quatro ajudar”, complementa a esposa Leni. No Parque do Imigrante os dois casais conseguiram se encontrar, algo que nem sempre é possível em razão das rotinas, já que ele e a esposa ainda cuidam de uma fazenda em Garopaba.

Apesar de ainda não conseguir ter se desprendido totalmente da vida caseira, Sergio é um defensor da rotina na estrada. “É um estilo de vida mais despojado. Mas começou meio de brincadeira, passei na frente de uma empresa que trabalhava com esse tipo de motorhome e achei muito interessante”, relembra.

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Inversão de papéis

Depois de criarem filhos e netos, os dois casais precisaram vencer a resistência da família quando decidiram viver na estrada. Leni aponta que a vitalidade do esposo é sim uma preocupação real. “Tenho problema com meu marido porque ele ainda sobe em árvore, trepa em telhado, é uma constante preocupação”, conta ela rindo da situação.

Anitta conta que antes de pegar a estrada foi preciso atender algumas exigências dos filhos. “Temos que ligar todo dia para eles, fizemos seguro, compartilhar localização, sempre tem que dar satisfação. A gente virou, antigamente a gente cuidava dos filhos, agora os filhos mandam”, conta ela, afirmando que nada disso diminui a vontade do casal de seguir na estrada.

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