Luna toma banho, vai ao shopping, tem uma rotina diária normal… mas ela não é de verdade. Ela é uma das bonecas bebês reborn da youtuber Ana Júlia Ribeiro, que compartilha a vida delas com os 429 mil inscritos no próprio canal.
E essas bonecas estão dando o que falar no Brasil, principalmente após um encontro recente de “mães” em São Paulo, que reuniu centenas de mulheres. Nas redes sociais, um vídeo onde uma mulher simulava o parto de um bebê reborn viralizou e até o padre Fábio de Melo “adotou” uma com Síndrome de Down, ao visitar uma “maternidade” nos Estados Unidos.
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Foto: Redes Sociais/Reprodução
Os bebês reborn são bonecas hiper-realistas que simulam desde recém nascidos até crianças com mais de 6 anos de idade, que possuem detalhes cuidadosos, como cílios, expressões faciais diversas, textura da pele e até o peso parecido com o de um nenê real. Elas podem ser feitas à semelhança de uma pessoa ou não, e divertem desde crianças até adultos.
Uma pode custar entre R$ 200 até mais de R$ 2,9 mil, a depender do que for desejado pelo comprador, segundo uma pesquisa feita nas plataformas de compras online e sites especializados na venda das bonecas.
A influenciadora Ana Júlia não é a única a mostrar nas redes os bebês reborn. Seja para compartilhar com os seguidores a rotina das bonecas ou para falar da coleção dos brinquedos hiper-realistas, até artistas mostrando o trabalho e ensinando como fazem os detalhes das crianças, de silicone ou vinil, elas estão em todo o lugar e dividem opiniões: bizarro, engraçado, terapêutico ou problemático?
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Brincadeiras
“É um roleplay”, disse Ana Júlia ao jornalista Chico Barney, durante o documentário Bebês Reborn Não Choram (2025). “Eu finjo que elas são de verdade”, concluiu. Role-play, ou roleplaying, é o ato de interpretar um papel, seja de forma inconsciente ou social, em uma simulação ou encenação de um evento real.
Ele é muito comum no universo dos jogos, por exemplo, existindo inclusive, um formato que leva até o termo no nome, os Role-playing Games (RPG), onde o jogador deve assumir a identidade do personagem para desbravar a trama.
Já o padre Fábio de Melo decidiu “adotar” uma bebê reborn em abril deste ano e brincou sobre nas redes sociais. Aos seguidores, ele contou que levou a boneca para casa como uma homenagem à mãe Ana Maria de Melo, que faleceu em 2021, aos 83 anos, já que ele a presenteou com muitas bonecas ao longo da vida.
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Uma maneira de lidar com o luto?

Foto: Redes Sociais/Reprodução
Muito além do role-playing, os bebês reborn podem ajudar as colecionadoras. A psicóloga Carly Dober explicou ao jornal australiano SBS News que essas bonecas hiper-realistas são usadas por motivos diferentes, “alguns apenas pelo prazer de colecionar esses itens e outros por motivos terapêuticos: luto e perda, problemas de fertilidade e demência”.
E há estudos que mostram os benefícios da terapia com bebês reborn em idosos que sofrem com a Doença de Alzheimer e até outros tipos de demência. As bonecas podem fazer as pessoas com mais de 60 anos expressarem as emoções, além de melhorar o autocuidado e a comunicação dos pacientes com os cuidadores.
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Bebês reborn: Terapêuticas para idosos com Alzheimer
Já uma outra pesquisa, feita em um lar de idosos do Reino Unido, mostrou que a terapia com os bebês reborn proporcionou conforto, sensação de amor e utilidade para os diagnosticados com Alzheimer, conforme um estudo publicado em 2024.
Inclusive, o uso de drogas psicotrópicas diminuiu de 92% para 28% no grupo que passou pela terapia. Segundo os pesquisadores, o uso das bonecas pode levar “a pessoa idosa de volta a uma época de suas vidas em que cuidavam dos filhos e eram produtivos”.
No entanto, há estudos que mostram que a terapia com os bebês reborn não são uma regra e podem causar o efeito contrário do esperado. Em idosos com ansiedade, pode causar estresse pelo paciente sentir que precisa cuidar da boneca.
O mesmo vale para quem usa as bonecas para lidar com o luto, conforme Carly. Isso porque a pessoa pode ficar presa nesta parte da vida, não conseguindo seguir em frente ou lidar com a perda.
Fontes: Análise da Eficácia do uso de Bonecas Terapêuticas com Pessoas Idosas (2024); Can lifelike baby dolls reduce symptoms of anxiety, agitation, or aggression for people with dementia in long-term care? Findings from a pilot randomised controlled trial (2018); Des poupées… du berceau à la maison de repos (2017). SBS News;