“Imagina tirarem uma foto do seu olho e te pagarem R$ 700 por isso?”, questionou uma mulher em um vídeo que viralizou nas redes sociais na última semana. Enquanto aguardava em uma fila com outros brasileiros, Vivi Silva explicou o que estava prestes a fazer: vender a imagem da própria íris para uma empresa norte-americana.

Foto: World/YouTube/Reprodução
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Após passar pela fila, ela ficou em frente à Orb, um dispositivo de verificação em formato de bola, que escaneou a íris dela. “Em recompensa, eles te dão 48 Wordcoin, que é a criptomoeda deles que, na cotação atual deles, está valendo R$ 700”, afirmou Vivi.
A íris é a parte colorida dos olhos e os padrões dela são únicos. Por conta disso, ela pode ser usada como uma forma de identificação, assim como as digitais.
Quem está comprando essas informações pessoais é a startup World, de Sam Altman, CEO da companhia OpenAI, a mesma que está por trás do ChatGPT.
A empresa explicou que a íris escaneada serve como uma “prova digital da humanidade”. Com elas, será possível verificar se a pessoa é humana e diferenciá-la de robôs no âmbito digital. Em outras palavras, seria uma maneira de possuir um “certificado” de que não é um bot em uma rede social, por exemplo.
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Para conseguir vender a íris, é preciso baixar o aplicativo da empresa, o World ID, e se cadastrar. Se quiser passar pela Orb, é necessário agendar uma visita e ir até uma das mais de 30 que estão espalhadas pelo estado de São Paulo.
A empresa afirmou no site oficial que os dados são escaneados pela Orb e criptografados, enviados diretamente para o perfil criado pelo usuário no World ID. Depois, ele é apagado do scanner, segundo eles.
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Mais de 10 milhões de íris compradas
A fila para vender “uma foto dos olhos” não é exclusividade do Brasil. Mais de 10 milhões de pessoas já usaram a Orb para isso no mundo, de acordo com a World.
As Orbs estão espalhadas em países como Alemanha, Malásia, Japão, Panamá, Peru, Colômbia e muito mais. No Brasil, onde a World atua desde novembro de 2024, elas estão em 36 locais diferentes de SP, entre shoppings e até no Brás.
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Entretanto, em alguns países a empresa foi proibida de realizar o serviço. Como no Quênia, onde o governo ordenou, em agosto de 2023, que a World parasse de aceitar novos usuários por preocupação com a privacidade dos dados da população adquiridos, de acordo com o jornal internacional BBC.
Em entrevista ao portal, Webster Musa, que esperava na fila na época para ter os olhos escaneados, afirmou que queria participar do processo por questões monetárias. “Eu quero me registrar porque estou sem emprego e dinheiro,é por isso que estou aqui aqui”, disse.
Na Espanha, a Suprema Corte baniu temporariamente a empresa no final de dezembro de 2024, conforme o portal internacional Business Times. Além disso, a Agência Espanhola de Proteção de Dados (AEPD) decidiu que a World deve apagar todos os dados adquiridos no país por após encontrarem uma brecha nas regras do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR).