O ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden anunciou, no início deste mês, o diagnóstico de câncer de próstata em estágio avançado – com metástase nos ossos. A revelação trouxe um alerta para os perigos do câncer de próstata, segundo câncer mais comum em homens.
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“O câncer afeta a todos nós. Aprendemos que somos mais fortes nos momentos difíceis.” Joe Biden, ex-presidente dos Estados Unidos
Foto: Divulgação
Segundo o porta-voz de Joe Biden, a família, junto com a equipe médica, está analisando as opções de tratamento para o ex-presidente de 82 anos de idade. Não há informações precisas sobre a rotina de exames do político. O que se sabe é que o último exame de PSA (antígeno prostático específico), exame utilizado para detectar precocemente o câncer de próstata, foi coletado em 2014.
Esse tipo de câncer costuma crescer lentamente e, em alguns casos, não apresenta sintomas nas fases iniciais. Quando os sinais aparecem, os mais comuns incluem dificuldade para urinar, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar com frequência (principalmente à noite), dor pélvica e presença de sangue na urina ou no sêmen.
De acordo com o urologista Lucas Lampert, o câncer de próstata pode evoluir para metástase óssea quando as células tumorais malignas se desprendem do tumor original (na próstata), entram na corrente sanguínea ou linfática e se instalam nos ossos. “O diagnóstico precoce é fundamental para proporcionar um tratamento que ofereça maiores chances de cura ao paciente”, defende.
Lampert afirma que, no caso do ex-presidente Joe Biden, que já é um homem idoso, as chances de cura diminuem porque se trata de um câncer mais agressivo. “Mas há possibilidades de ele ter qualidade de vida através de tratamento de controle da doença”, explica.
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A idade avançada é um dos fatores de risco para o câncer de próstata, que também está associado à alimentação e estilo de vida, bem como a questões genéticas e inflamações ou infecções na região. Para Lampert, o acompanhamento com o urologista é fundamental para o rastreio e acompanhamento da saúde do homem.
Tira-dúvidas com o dr. Lucas Lampert
Dr. Lucas Lampert durante o último Congresso Internacional de uro oncologia que ocorreu em abril na cidade de São Paulo
Foto: Divulgação
O que é câncer de próstata?
Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida. Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.
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Quais são os fatores de risco?
A idade é um fator de risco importante, uma vez que tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos. Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos, podendo refletir tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias. Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de próstata avançado. Exposições a aminas aromáticas (comuns nas indústrias química, mecânica e de transformação de alumínio), arsênio (usado como conservante de madeira e como agrotóxico), produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligem e dioxinas estão associadas ao câncer de próstata.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através da biópsia prostática por via transretal ou trans-perineal e guiada por ultrassonografia e/ou ressonância magnética. A indicação de biópsia depende do toque retal e valores de PSA. A detecção precoce do câncer é uma estratégia utilizada para encontrar um tumor numa fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento bem sucedido.
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Quais os tratamentos?
Para doença localizada (que só atingiu a próstata e não se espalhou para outros órgãos), cirurgia robótica, radioterapia e até mesmo observação vigilante (em algumas situações especiais) podem ser oferecidos. Para doença localmente avançada, radioterapia ou cirurgia robótica em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados. Para doença metastática, como é o caso do Biden, o tratamento mais indicado é a terapia hormonal. A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um.
Quais as chances de cura?
Com as opções de tratamento e o diagnóstico precoce as chances de cura aumentaram muito nos últimos anos e hoje chegam a mais de 90%. Existem muitas opções para controle da doença nos mais diversos estágios, minimizando riscos e aumentando a taxa de sucesso do tratamento