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Como a Comusa retomou o abastecimento em tempo recorde

Após maior cheia da história do Estado, autarquia garantiu a retomada da captação em menos de três dias

Era madrugada de sexta, 3 de maio, quando o Rio dos Sinos superou a máxima histórica registrada em 100 anos, em Novo Hamburgo. Naquele momento, sabendo que a quantidade de água das cheias dos rios Paranhana e Caí continuariam elevando o nível do rio, o vice-prefeito e diretor-geral da Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo, Márcio Lüders, tomou uma decisão drástica mas necessária: suspender de vez a captação de água para toda a cidade e preservar os equipamentos.

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Servidores trabalharam mais de 40 horas ininterruptas para retomar o abastecimento em Novo Hamburgo | abc+



Servidores trabalharam mais de 40 horas ininterruptas para retomar o abastecimento em Novo Hamburgo

Foto: Divulgação/Comusa

A decisão se mostrou acertada quando, pouco menos de um dia depois, toda captação da autarquia ficou submersa e o nível do rio atingiu o patamar imprevisível estimado de 9,85m. Apesar de toda a dificuldade e prejuízo à população, na segunda-feira (6), às 22 horas, a captação foi retomada em tempo recorde e, menos de uma semana após a suspensão, toda Novo Hamburgo já estava reabastecida.

Planejamento preciso auxiliou na retomada

Essa recuperação inédita da autarquia, enquanto outras cidades da região, que também tiveram que suspender a captação de água bruta, ainda sofriam com desabastecimento generalizado quase duas semanas depois da cheia, só foi possível graças à melhorias realizadas na autarquia desde 2013, quando o Rio dos Sinos havia atingido sua marca histórica até então de 8,48m, pelo Plano de Contingência montado pelas equipes operacionais da Comusa, seguido à risca durante todo período da cheia história e, principalmente, pelo esforço e dedicação dos servidores que operaram durante mais de 28h ininterruptas para religar as bombas e o abastecimento no menor tempo possível.

“Nós não queríamos ter que parar a captação. Deixar a população desabastecida nosso maior receio. Mas, sabíamos que essa era uma cheia anormal. Conseguimos superar a máxima histórica de 100 anos, captamos até 8,65m, mas não foi o suficiente”, comenta Márcio. “Apesar disso, aprendemos com a cheia de 2013 e, as melhorias que garantimos, evitaram que essa situação se estendesse por mais tempo. O principal, foram nossos transformadores. Mesmo cobertos de água, a Comusa optou por modelos blindados e esse investimento se pagou. Quando a água baixou, foi feita uma limpeza e verificação que mostrou que eles estavam intactos. Outras autarquias não investiram nessa tecnologia e tiveram problemas ao religar a energia”, explica o vice-prefeito.

Servidores trabalharam mais de 40 horas ininterruptas para retomar o abastecimento em Novo Hamburgo | abc+



Servidores trabalharam mais de 40 horas ininterruptas para retomar o abastecimento em Novo Hamburgo

Foto: Divulgação/Comusa

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Ele destaca que, apesar das melhorias, uma enchente dessa magnitude não estava em nenhum plano diretor de toda a região pois nunca, em 100 anos, as águas subiram tanto. “Todos os planejamentos são feitos acima da máxima histórica registrada nos últimos no último século. É por isso que tantas cidades precisaram suspender sua captação e enfrentaram tantas inundações. Agora, é hora de replanejar todos nossos projetos com isso em mente”, explica.

Servidores trabalharam mais de 40 horas para garantir o retorno rápido

O plano de contenção elaborado pela área técnica da Comusa previa o aumento do rio e cada ação a ser tomada pela autarquia conforme o nível continuasse subindo. Dessa forma, todas as vezes que a Comusa precisou tomar uma decisão contemplada no plano, todos os preparativos já estavam em andamento para que isso acontecesse o mais rápido possível.

Nível do Rio dos Sinos superou a máxima histórica de mais de 100 anos de medição, submergindo toda captação da Comusa | abc+



Nível do Rio dos Sinos superou a máxima histórica de mais de 100 anos de medição, submergindo toda captação da Comusa

Foto: Divulgação/Comusa

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“Quando o rio ultrapassou a marca dos 8m, já estávamos com o guindaste preparado para retirar os motores das bombas. Por isso conseguimos manter a captação por mais algumas horas. E, quando verificamos que o rio estava baixando e, em poucas horas poderíamos reinstalar os motores, todos nossos equipamentos e servidores já estavam preparados. Assim, às 15h30 de segunda-feira, demos início à mega operação de recolocação dos motores”, explica Márcio.

O trabalho para garantir essa rápida restauração do abastecimento só foi possível por conta dos servidores e técnicos que trabalharam na captação desde à tarde de domingo. Quando o Rio dos Sinos baixou dos 9m, eles retornaram ao local e deram início ao esvaziamento dos poços, limpeza da casa, verificação da situação dos painéis elétricos e transformadores, e análise dos danos causados pela água.

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“Nós temos servidores que perderam tudo na cheia, muitos deles preocupados com as famílias e, ainda assim, todos eles trabalharam sem descanso para garantir a retomada do abastecimento. Muitos deles passaram mais de 40 horas sem dormir, mas isso resultou em um rápido trabalho de retomada. Às 22h de segunda-feira, a captação foi religada. Nem no cenário mais otimista acreditávamos em uma retomada tão rápida”, destaca o diretor-geral.

Preparação para o futuro

Sabendo das dificuldades enfrentadas pelas mudanças climáticas, Márcio destaca que, daqui para frente, a Comusa terá que repensar seus projetos para enfrentar um clima cada vez mais imprevisível. “Nossa nova casa de captação já está pronta e estamos preparando a compra dos novos equipamentos de operação. Mas já estamos trabalhando em opções para lidar com as constantes cheias e mudanças climáticas. É um cenário cada vez mais espinhoso que se desenha nos próximos anos e precisamos enfrentá-lo com planejamento, valorizando nossos servidores e investindo cada vez mais em tecnologia.”

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