Manter uma paixão viva por quatro décadas não é fácil. Para Rudimar Lauermann, natural de Esteio, o futebol amador nunca foi apenas um hobby — mas um fio condutor que atravessou diferentes fases de sua vida, sempre caminhando lado a lado com a trajetória profissional. Aos 58 anos, ele é técnico em Segurança do Trabalho, técnico em Enfermagem e socorrista, e segue conciliando as profissões com as atividades e viagens esportivas abrangendo o futebol sete, futebol de salão e futebol de campo na posição de goleiro.

Foto: Divulgação/Acervo pessoal
Ao longo do tempo em campo ou quadra, a trajetória de um esportista é construída não apenas por títulos ou viagens, mas pela capacidade de se reinventar e seguir competitivo. Essa consistência também se traduz nas experiências acumuladas pelo Brasil por Rudi — como é conhecido no meio. Além dos campeonatos locais, Rudi teve viagens marcantes ao Nordeste, passagens frequentes por Maceió, até momentos especiais no Rio de Janeiro, e convites importantes como o Campeonato Brasileiro em Fortaleza, em 2003.
Recife, Curitiba e São Paulo também entram nesse roteiro de boas atuações, que segue em expansão, com mais um desafio já programado: a viagem para o amistoso de futebol sete em Manaus, entre os dias 20 e 27 de agosto, vestindo a camisa do Carcará.
Anos 1980, o começo de tudo
A base da história de Rudi está no vínculo com o futebol de várzea do Rio Grande do Sul. Morador de Esteio, mas com forte atuação em Canoas, fez parte de equipes que marcaram época, como o tradicional Fluminense de Esteio — um time lembrado pela força, união e competitividade. Foram anos de jogos intensos, rivalidades saudáveis e reconhecimento dentro da comunidade esportiva.
Rudi presenciou de perto a criação do time Scolari Atlantic em 1990, e contou com patrocínio de Eduvar Scolari por dez anos. Entre as passagens por vários times, jogou também no Master do Flamengo de Esteio, sendo campeão invicto em 2010, ao lado de Jorginho, que foi considerado melhor jogador do mundo.
Anos 1990, consolidação no amador
A partir dos anos 90, Rudi passou a integrar times com mais regularidade, disputando campeonatos e fortalecendo vínculos dentro do esporte, mesmo com o avanço da vida profissional. “Em 1995 fiz um amistoso com a Enxuta/Dalponte, que era o melhor time do mundo, em 1998 joguei no Rio de Janeiro, com Vasco da Gama, fui recepcionado pelo Roberto Dinamite”, recorda.

Foto: Divulgação/Acervo pessoal
Anos 2000, equilíbrio entre carreira e o esporte
Com a carreira já estruturada, Rudi manteve presença ativa nos gramados e quadras. Em 2000 foi a vez de jogar no Castelão, em Fortaleza, ao lado de Celso Gavião — bicampeão mundial no Porto de Portugal. “Em 2002 fui para o Rio Grande do Norte jogar com o América do Natal, em 2003 disputei a preliminar do Campeonato Brasileiro, no Castelão, em Fortaleza”, conta. “Nos anos seguintes, estive na Bahia, em Curitiba por duas vezes, joguei em São Paulo também e várias vezes em Santa Catarina.”
Constância na vida esportiva
Desde que iniciou nos jogos aos 18 anos, Rudi nunca teve dificuldade para conciliar as atividades e o trabalho, fator que o motiva a seguir no esporte. Além dos times Clube Atlântico e Carcará, ele integra a equipe do Condor há 21 anos, com mais de 500 partidas realizadas apenas nesse time. Em 2025 jogou um amistoso contra o time dos oficiais da Base Aérea de Fortaleza.
Um problema no ombro, que antes pareciam um ponto final de atuação, ficou no passado. O reflexo disso aparece nas partidas. “Me sinto melhor em relação a três anos, quando estava tendo dificuldade em função das dores nos ombros. Ainda sou destaque em vários jogos. E mesmo com uma turma às vezes bem mais jovem, consigo estar bem nas partidas, porque melhorei muito. A dor no ombro sumiu e eu consigo jogar o futebol ainda competitivo”, avalia.
Paixão de pai para filho
Assim como Rudi, seu filho Matthaus Lauermann, de 29 anos, tem forte conexão com o futebol. Tendo o nome em homenagem a um ex-jogador da Alemanha, Matthaus já visitou 15 países para assistir jogos e conhecer estádios. No Rio Grande do Sul já esteve em 17 estádios, 21 na América do Sul e 12 na Europa. Matthaus tem o canal Cancheador no YouTube, onde traz abordagens sobre o tema.

Foto: Divulgação/Acervo pessoal
Momentos especiais da trajetória
Entre os tantos momentos marcantes, Rudi destaca aqueles no time Scolari Atlantic. “Jogamos vários campeonatos importantes e ganhos. Tivemos bastante reconhecimento, diversas vezes o time foi campeão municipal, tivemos bastante influência em Canoas”, afirma. “Também me destaquei muito bem no futebol sete em campeonatos. Foi uma coisa que marcou muito, assim como as viagens, principalmente com o Inter em 2013, e os jogos com o Dinho enquanto ele jogava no Grêmio, ter o reconhecimento dele também era muito bom.
Inspirações que marcam
Como toda grande trajetória, também há referências que ajudam a moldar o caminho. Para Rudi, o treinador Ênio Andrade é uma delas, sendo inspiração desde a época de criança e exemplo de excelência no futebol brasileiro, como campeão brasileiro com três times. Dentro de campo, nomes como Paulo Roberto Falcão e o goleiro Taffarel são ídolos. Como grande referência no amador, Gilberto Brigoni, e o goleiro André, do Fluminense de Esteio.
Nos 40 anos dedicados ao futebol, Rudi acumulou não apenas memórias, mas também amizades, relacionamentos e uma sala em casa com 153 troféus, 66 medalhas e muitas fotografias. Ele não contabiliza apenas anos de jogos, mas uma jornada marcada por constância e propósito. Um exemplo de como o esporte pode acompanhar — e enriquecer — toda uma vida.