Embora, atualmente, haja mais preocupação do público masculino com a saúde própria, as palavras exames e prevenção despertam certo receio. Para muitos homens, cuidar de si e fazer exames preventivos ainda é visto quase como um tabu, mesmo que exista algum desconforto, uma alteração que surgiu de repente, por exemplo.
O assunto torna-se ainda mais delicado quando o homem está em processo de envelhecimento. Assim, pensar em responder questões que invadem a intimidade, muitas vezes o faz recuar em uma possível investigação da saúde. Entre as condições que mais afetam aos homens, está a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), que é o aumento não canceroso da próstata – glândula localizada logo abaixo da bexiga envolvendo a uretra.
Comum na faixa etária dos 45 aos 50 anos, a HPB afetou o Rei Charles III em 2024, quando ele tinha 75 anos. Foi para incentivar outros homens a fazerem exames de próstata que ele decidiu divulgar seu diagnóstico. Na época, as pesquisas sobre a doença tiveram um aumento significativo. Segundo o médico urologista Dr. Lucas Lampert, existem diferentes tratamentos, alguns com procedimentos pouco invasivos. Mas, para conhecer, é preciso informação.

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Sintoma é sinal de alerta para investigação
Condição natural do envelhecimento masculino, a HPB é uma doença considerada silenciosa, pois alguns de seus sintomas podem até ser confundidos com outras condições – ou ainda naturalizados como algo comum. Mas, é importante destacar que o diagnóstico precoce evita desconfortos futuros. “Quando a próstata cresce, ela aperta a uretra. A urina não sai completamente da bexiga. O resíduo vira o ambiente perfeito para bactérias se multiplicarem, resultando em infecções que insistem em voltar”, explica Dr. Lampert.
Conforme dados da Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de 50% dos homens acima dos 50 anos já têm HPB. Após os 85 anos, esse número chega a 90%. Portanto, ficar atento às mudanças do corpo é fundamental para providenciar o rápido tratamento.
Entre os sintomas estão:
– Dificuldade para urinar;
– Jato urinário fraco ou interrompido;
– Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
– Acordar várias vezes à noite para urinar;
– Urgência urinária.

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Tecnologias na medicina permitem o envelhecimento saudável
Dr. Lampert destaca que a medicina evoluiu e trouxe tecnologias que possibilitam envelhecer com qualidade. Houve épocas em que a cirurgia era a única solução para o tratamento da HPB em quadros mais avançados. Mas, hoje, com os avanços e tecnologias modernas, já é possível tratar a condição com abordagens menos invasivas.
O tratamento vai desde o uso de medicamentos – como alfa-bloqueadores e inibidores da 5-alfa-redutase – até procedimentos minimamente invasivos. A escolha do método para tratar a HPB dependerá da situação do paciente. “Cada caso é avaliado de forma criteriosa, levando em conta o diagnóstico, o perfil do paciente e a melhor estratégia terapêutica disponível”, adianta Dr. Lampert.
Especialista no assunto, ele reforça que, atualmente, ter HPB não significa precisar passar por tratamentos complexos. Por isso, a Ressecção Transuterial da Próstata, a cirurgia a laser (HoLEP) e os procedimentos robóticos são algumas das terapias mimamente invasivas oferecidas aos pacientes. “As cirurgias urológicas minimamente invasivas representam um avanço estratégico da urologia moderna, unindo alta precisão, tecnologia de ponta e foco total na experiência do paciente”, avalia.
Os procedimentos mais modernos são feitos sem nenhuma incisão, via uretra com menos sangue e dor, recuperação mais rápida e sem impacto negativo na vida sexual.
Causas da HPB e prevenções
De acordo com informações do Hospital Albert Einstein, questões hereditárias podem influenciar o aparecimento da HPB. Por exemplo, quem teve ou tem pai com HPB, a probabilidade de enfrentar a doença em si é de três a quatro vezes maior. Mas, o estilo de vida pode prevenir a condição. Fazer atividade física, ingerir alimentos de baixa quantidade de gordura e álcool de forma moderada são fatores que podem atenuar as manifestações clínicas da HPB, mesmo se o homem carrega o gene herdado. Buscar orientação de um urologista também é uma medida de prevenção. Quando não tratada, a HPB pode agravar, resultando em complicações como infecção urinária e até complicações da função renal.