O câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de mais de 70 mil novos casos por ano. E embora a maioria dos diagnósticos ocorra em homens acima dos 60 anos, há um fator que pode antecipar ou agravar a doença: o histórico familiar. Homens que têm parentes de primeiro grau — como pai, avô ou irmão — diagnosticados com câncer de próstata apresentam risco duas a três vezes maior de desenvolver a doença.

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Esse risco é ainda mais elevado quando o câncer foi diagnosticado antes dos 60 anos ou quando mais de um familiar foi afetado. “O histórico familiar aponta para um componente genético que deve ser levado muito a sério. Homens com esse perfil precisam iniciar o acompanhamento médico mais cedo, por volta dos 45 anos ou até antes, conforme recomendação médica”, afirma o urologista Lucas Lampert. No entanto, o médico lembra que histórico familiar não é sentença. “Com prevenção e acompanhamento adequados, é possível detectar de forma precoce a doença”, afirma.
Ele destaca que o câncer de próstata é uma realidade que pode ser enfrentada com informação, prevenção e diagnóstico precoce. “Conhecer o histórico familiar, realizar exames de rotina e manter um diálogo aberto com o médico são atitudes que fazem toda a diferença na sobrevida e na qualidade de vida dos pacientes”, ressalta.
Diagnóstico precoce salva vidas
Em seus estágios iniciais, o câncer de próstata costuma ser assintomático, o que reforça a importância de exames regulares. O diagnóstico precoce é o principal aliado na luta contra a doença, pois aumenta consideravelmente as chances de cura.
Atualmente, dois exames são fundamentais na triagem:
• Toque retal, que permite avaliar o tamanho, forma e textura da próstata;
• Dosagem do PSA (antígeno prostático específico) no sangue, que detecta alterações sugestivas da presença do tumor.
Se confirmada a suspeita, exames complementares como biópsia e ressonância magnética são solicitados.
Segundo dados do Ministério da Saúde, quando diagnosticado precocemente, o câncer de próstata tem mais de 90% de chance de cura. Em casos avançados, essa taxa cai drasticamente, o que reforça o papel fundamental do acompanhamento preventivo.
Exame sem tabus
Apesar dos avanços no tratamento e do aumento da conscientização, ainda há resistência de muitos homens em procurar ajuda médica. O preconceito em relação ao exame de toque e o medo do diagnóstico ainda afastam parte da população masculina dos consultórios. “Precisamos desmistificar o toque retal e mostrar que cuidar da saúde é um ato de coragem. O exame é rápido, indolor e pode salvar vidas”, reforça Lampert.
Quando começar o acompanhamento?
• Homens com histórico familiar: a partir dos 45 anos (ou antes, dependendo do caso);
• Demais homens: a partir dos 50 anos, com exames anuais, conforme orientação médica.
Cirurgia robótica é o tratamento mais moderno
A cirurgia robótica revolucionou o tratamento do câncer de próstata nas últimas duas décadas. Atualmente, a prostatectomia radical assistida por robô é considerada o padrão ouro em muitos centros de excelência, sendo indicada para casos de câncer localizado, com excelentes resultados oncológicos e funcionais. “Essa tecnologia permite preservar melhor estruturas importantes como nervos e vasos, o que resulta em menor risco de impotência sexual e incontinência urinária”, explica Lampert, que é especialista em cirurgia robótica. Estudos recentes mostram que a cirurgia robótica vem ganhando espaço rapidamente. Em países como os Estados Unidos, mais de 85% das prostatectomias radicais já são feitas com auxílio robótico. No Brasil, embora o crescimento seja expressivo, o acesso ainda é concentrado em grandes centros e hospitais privados.
Benefícios para o paciente
Entre as principais vantagens da cirurgia robótica no câncer de próstata, destacam-se:
• Menor sangramento intraoperatório
• Cicatrizes menores
• Menor tempo de internação hospitalar
• Recuperação mais rápida
• Redução do risco de sequelas funcionais
• Alta taxa de cura nos casos localizados
Futuro promissor
A tendência é que a cirurgia robótica se torne cada vez mais acessível, segura e precisa. Aliada ao diagnóstico precoce, ela representa uma esperança concreta para milhares de homens diagnosticados com câncer de próstata. “O robô é uma ferramenta, mas o que faz a diferença é a experiência do cirurgião. Com ela, conseguimos oferecer um tratamento eficaz e com menor impacto na qualidade de vida do paciente”, conclui Lampert.