Os pavilhões do Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), respiram moda e negócios. A 4ªedição da BFSHOW, que teve início na segunda-feira (19) e segue nesta quarta (21), deve receber mais de 10 mil lojistas de todos os estados brasileiros, além de cerca de 1,2 mil importadores de 62 países.

Foto: Divulgação/BFSHOW
O segundo dia da feira calçadista (20), contou com a tradicional coletiva de imprensa que destacou os dados do setor. Na ocasião, em que também foi lançado o Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2025, publicado pela Abicalçados, o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, trouxe as projeções para o ano.
VEJA TAMBÉM: Fruki berga: Fabricante anuncia mudança definitiva que em breve estará nas prateleiras
Exportações
Em 2025, a indústria do calçado deve crescer entre 1,4% e 2,2%, chegando ao maior volume em 11 anos (entre 942,5 milhões e 949,9 milhões de pares produzidos). “A BFSHOW vem mostrando que chegaremos a esses números, que devem ser impulsionados, principalmente, pelas exportações, que devem crescer entre 2,1% e 5,2% ao longo do ano.”
Estados Unidos
De acordo com o executivo da Abicalçados, as projeções já levam em consideração reflexos da guerra tributária entre Estados Unidos e China, que tem feito com que compradores norte-americanos busquem mais o mercado brasileiro. “Embora tudo possa mudar, bastando um canetaço de Trump, existe uma instabilidade no mercado e os compradores dos Estados Unidos vêm buscando fornecedores alternativos aos chineses”, explica.
CONFIRA: BFSHOW: Veja entrevista do Grupo Sinos com CEO da Usaflex
Importações
“Mas nem todas as notícias são positivas.” Dessa forma Ferreira introduziu um tema que tem preocupado a indústria calçadista nacional: as importações. Segundo ele, com a guerra comercial em curso, os exportadores chineses vêm buscando “desovar” sua produção em mercados que não o norte-americano, inundando não somente mercados cativos para o calçado brasileiro no exterior, mas o próprio mercado interno.
“No primeiro quadrimestre, as importações alcançaram 16,5 milhões de pares, 28% mais do que no mesmo período do ano passado. Desses, a maior parte são provenientes da China, Vietnã e Indonésia”, comenta.
Para conter o problema da invasão de calçados asiáticos, o dirigente da Abicalçados frisou que a entidade vem trabalhando com o governo federal para o aperfeiçoamento de mecanismos de defesa comercial, como as cotas de importação. Conforme levantamento da Inteligência de Mercado da Abicalçados, a cada 1 milhão de pares importados são perdidas, ou deixadas de serem criadas, 2,2 mil vagas na indústria calçadista brasileira. “É um problema muito sério e que vem sendo trabalho no âmbito federal”, conclui.
Movimento solidário
O Movimento Próximos Passos RS levou esperança para milhares de profissionais da cadeia produtiva do calçado no Rio Grande Sul atingidos pelas enchentes em 2024.
A iniciativa foi criada em maio do ano passado pelas entidades representativas, a Abicalçados, Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). O relatório foi apresentado durante a coletiva no segundo dia da mostra BFSHOW (20).
A campanha arrecadou mais de R$ 6,4 milhões e beneficiou, diretamente, 3.177 pessoas, distribuindo os recursos em 33 cidades nos vales do Sinos, Taquari e Paranhana. O movimento contou com o empresário Alexandre Birman, da Arezzo, que estimulou sua rede para captações e intermediou a maior doação realizada pelo Banco Master.
LEIA AINDA: GRAMADO SUMMIT: Mais de 200 personalidades estarão no evento, de grandes nomes do varejo a esportistas
Novidades da Ramarim

Foto: Edu Defferrari
A Ramarim, de Nova Hartz, levou para a mostra seus lançamentos. O estande da empresa conta com muitas visitações, tanto do mercado externo quanto interno. A fabricante de calçados da região participa de uma palestra na feira calçadista com Caito Maia, fundador e presidente da Chilli Beans, nesta quarta (21).
A marca de Nova Hartz fechou uma parceria com a Chilli Beans, conhecida pelos óculos e relógios e que irá se lançar no mercado de tênis. O anúncio foi antecipado nesta terça (20), durante live do jornal Exclusivo: o licenciamento do projeto será feito pela Ramarim.
A empresa de Nova Hartz tem também uma parceria estratégica com o Grupo Oscar Calçados, que administra as operações de varejo qua antes pertenciam a Paquetá. Os sneakers casuais da Ramarim tiveram um aumento em 30% nas vendas em relação ao ano anterior nas lojas do grupo.