O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou na última quinta-feira (13), o Fair and Reciprocal Plan, que na prática são medidas comerciais recíprocas que incluem tarifas, barreiras não tarifárias, impostos discriminatórios e subsídios.

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A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) criticou os recentes anúncios de Trump, já que a nova medida, assim como o tarifaço sobre o aço e alumínio, trazem impactos ao Brasil. Segundo a entidade, a relação econômica e comercial entre Brasil e Estados Unidos é equilibrada e benéfica para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os países.
“A alta complementariedade e o perfil intrafirma do comércio bilateral tornam os Estados Unidos um fornecedor confiável e competitivo para o setor produtivo brasileiro, assim como o Brasil para as empresas americanas”, afirma a Amcham em nota.
A entidade informou também que segundo estatísticas americanas, nos últimos dez anos (2014-2023), os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 263,1 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil.
“Apenas em 2024, o saldo positivo em bens para os Estados Unidos foi de US$ 7,3 bilhões, o sétimo maior entre seus parceiros comerciais”, destaca a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, que ressalta que o País aplica como tarifa média para o mercado norte-americano um valor muito abaixo do praticado a nível global.
“As tarifas de importação aplicadas pelo Brasil seguem compromissos negociados internacionalmente, com a participação dos Estados Unidos. Embora a tarifa média nominal brasileira para o mundo seja de 12,4%, a tarifa média efetiva ponderada sobre as importações americanas é de apenas 2,7%”, explica a Amcham Brasil.
Essa diferença ocorre devido à alta participação de produtos americanos com alíquota zero nas importações brasileiras, como aeronaves e suas partes, petróleo bruto e gás natural, além do uso de regimes aduaneiros especiais que reduzem ou eliminam impostos sobre importações dos Estados Unidos.
“Como resultado, mais de 48% das exportações americanas para o Brasil entram sem tarifas, e outros 15% estão sujeitos a alíquotas de no máximo 2%”, detalha a entidade brasileira em nota.
Diante dos benefícios mútuos e da relevância da relação bilateral, a Amcham Brasil reforça a necessidade de um diálogo construtivo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos na busca de soluções negociadas e equilibradas.
Tarifas sobre aço e alumínio
A decisão de aplicar sobretaxas de 25% sobre as importações americanas de aço e alumínio de todas as origens a partir de 12 de março também preocupa a entidade brasileira.
Conforme a Amcham Brasil, a medida deve afetar significativamente as exportações brasileiras desses setores que possuem significativo grau de integração com os Estados Unidos. Em 2024, as empresas brasileiras importaram US$ 1,4 bilhão em carvão siderúrgico americano, utilizado para a produção do aço no Brasil. Além disso, o aço brasileiro é um insumo estratégico para a indústria americana.
O Brasil, por sua vez, importa um volume relevante de bens fabricados com aço nos Estados Unidos, incluindo máquinas e equipamentos, peças para aeronaves, motores automotivos e outros bens da indústria de transformação. Com as sobretaxas, há o risco de redução das importações brasileiras desses produtos de origem norte-americana.