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COBRANÇA

Com aproximação do El Niño, entidade empresarial cobra ações mais efetivas do governo do RS

ACI de Novo Hamburgo enviou 10 pedidos de informação e quer respostas sobre prevenção, abrigos, recursos e obras diante do risco de um novo El Niño no RS

Publicado em: 16/06/2026 às 20h:14 Última atualização: 16/06/2026 às 20h:14
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Com o despacho de um documento composto por 10 pedidos de informações, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) de Novo Hamburgo indaga o Estado sobre ações preventivas a uma nova enchente. A medida se dá frente às expectativas de um novo fenômeno El Niño impactando o Rio Grande do Sul com chuvas fortes e frequentes.

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Sede da ACI em Novo Hamburgo | abc+



Sede da ACI em Novo Hamburgo

Foto: Divulgação ACI

No ofício, os esclarecimentos solicitados apontam para planos de contingência ativos, quantidade e localização de abrigos públicos, recursos financeiros destinados à prevenção e mitigação de desastres, entre outros. A série de perguntas ocorre mediante a falta de percepção da ACI quanto a ações efetivas tomadas.

“Percebemos uma certa omissão do Estado em enfrentar o problema de uma forma mais efetiva. Vemos que têm sido adotadas medidas muito brandas, meramente de conscientização, e não estamos vendo nada de efetivo”, declara o diretor da ACI-NH, Fauston Saraiva.

A iniciativa é descrita como um ato preventivo que busca encontrar orientações às empresas associadas, mas também à sociedade em geral. Ainda serão realizados contatos com os municípios a fim de entender e também compartilhar as ações executadas a nível distrital.

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No documento já encaminhado na segunda-feira (15), também foram questionados a Defesa Civil Municipal de Novo Hamburgo e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

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Setores da preocupação

Conforme Fauston Saraiva, diferentes setores e cenários merecem a atenção do órgão estadual e demais entidades competentes, na tentativa de entender e trabalhar com os problemas que uma nova instabilidade climática possa causar.

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“Não vemos o Estado dando um apoio aos municípios, principalmente aqui na Bacia do Rio dos Sinos. Não vemos o Estado dando apoio para fazer o desassoreamento do (Lago) Guaíba, para trabalhar no melhoramento dos diques que cercam o Rio dos Sinos”, exemplifica o diretor da ACI.

A entidade representativa do empresariado também comenta sobre a verba disponível para ações como essa, por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).

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“Temos mais de R$ 5 bilhões no Funrigs, que devem ser usados para a reconstrução do estado, e nós não tivemos”, cobra Saraiva, mencionando que uma das únicas atitudes tomadas foi a concessão de linhas de crédito às empresas, não percebidas como um “favor”, visto que as próprias marcas terão que pagar este valor recebido logo à frente.

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Olhar social

Conforme o diretor da ACI-NH, a preocupação das empresas vai além dos impactos ao caixa, observando a situação de seus colaboradores, também, em caso de uma nova tragédia.

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“Hoje, a preocupação existe nem tanto pelo cunho empresarial, mas pela questão social, mesmo, a necessidade que temos de medidas retificadoras e preventivas que gerem um impacto mínimo possível no todo: produtividade, perdas, aspecto financeiro”, define Fauston Saraiva.

Ainda conforme Fauston, o próprio governo do Estado admite que, caso o RS seja atingido pelo El Niño de maneira semelhante a 2024, as consequências negativas serão sentidas, o que reforça o temor que antecede o início do fenômeno climático.

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“Hoje, há uma preocupação e um reconhecimento do próprio governo do Estado de que, havendo algo semelhante a 2024, a tragédia é inevitável”, aponta.

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Responsabilidades e reflexão do Poder Público

Representante da classe empresarial, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, que também abrange as cidades de Estância Velha, Campo Bom, Ivoti e Dois Irmãos, cobra os órgãos públicos, ao passo em que assume a responsabilidade carregada pelo setor privado, também.

“Precisamos que seja uma via de mão dupla, a iniciativa privada faz seu papel, mas o poder público também tem que fazer”, manifesta, por meio do diretor Fauston Saraiva.

Outro entendimento transmitido pela movimentação é o de que o Estado precisa refletir sobre seu papel. “Temos que fazer uma reflexão: o governo fiscaliza as empresas, então, nada mais justo que ele, na condição de órgão fiscalizador, dê o exemplo e cumpra com as normativas e faça os investimentos necessários para dirimir eventuais impactos oriundos dessas tragédias climáticas”, observa Fauston.

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Os tópicos:

1 – Quais planos de contingência encontram-se atualmente ativos para resposta a enchentes, deslizamentos, vendavais e demais desastres naturais;
2 – Quais municípios possuem áreas de risco mapeadas e quais ações preventivas estão sendo executadas nessas localidades;
3 – Quantidade e localização dos abrigos públicos disponíveis para atendimento à população em situações de emergência;
4 – Relação dos equipamentos, veículos, embarcações e recursos materiais disponíveis para operações de resgate e assistência humanitária;
5 – Informações sobre os sistemas de monitoramento meteorológico e hidrológico utilizados e os protocolos de emissão de alertas à população;
6 – Existência de programas de capacitação e simulados destinados às equipes municipais e às comunidades vulneráveis;
7 – Recursos financeiros destinados à prevenção e mitigação de desastres, indicando valores já aplicados e previstos para o exercício de 2026;
8 – Obras estruturais planejadas ou em execução para redução dos riscos de inundações e deslizamentos;
9 – Estratégias de integração entre União, Estado e Municípios para atuação coordenada em eventual situação de calamidade pública;
10 – Cronograma das ações preventivas previstas para os próximos meses.

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