As tensões entre Estados Unidos e Venezuela podem respingar no Rio Grande do Sul. É o que avalia o Sistema Fiergs após a captura de Nicolás Maduro no último fim de semana. Para o presidente da entidade gaúcha, Claudio Bier, episódios como esse tendem a elevar o grau de incerteza nos mercados, com efeitos sobre custos de produção e decisões de investimento.

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“A relação comercial com a Venezuela já não tem hoje o peso que teve no passado. Houve um período em que a indústria de transformação do Rio Grande do Sul, especialmente máquinas e equipamentos, teve uma presença muito forte nesse mercado, o que se perdeu ao longo dos anos”, afirma Bier.
O dirigente acredita que o cenário deva se estabilizar em um curto prazo. “Esperamos uma normalização da situação. Há diferentes caminhos possíveis, como novas eleições, acordos internacionais ou entendimentos sobre o petróleo venezuelano. A tendência é de recuperação. Para a economia e a população da Venezuela, é improvável que a situação se agrave ainda mais.”
Negócios entre o país e o RS
Dados do Conselho de Comércio Exterior (Concex) e da Unidade de Estudos Econômicos (UEE) do Sistema Fiergs indicam que as relações comerciais entre o Rio Grande do Sul e a Venezuela vem apresentando clara deterioração ao longo dos anos. Entre janeiro e novembro de 2025, o país caribenho respondeu por apenas 0,5% das exportações gaúchas (US$ 97,4 milhões) e 0,2% das importações (US$ 21 milhões), ocupando, respectivamente, a 34ª e a 42ª posições no ranking estadual.
O desempenho contrasta com o observado há cerca de uma década, quando a Venezuela figurava como o oitavo principal destino das exportações do Estado, concentrando aproximadamente 2,4% das vendas externas (US$ 446,9 milhões). Desse total, 86,6% das exportações tinham origem na indústria de transformação.
A perda de espaço foi ainda mais expressiva em alguns segmentos industriais. As exportações de veículos, tratores, máquinas e equipamentos, que somaram US$ 216,9 milhões em 2011, recuaram para cerca de US$ 9 milhões em 2024, o que representa uma retração próxima de 95,8%. Apesar disso, o Rio Grande do Sul segue respondendo por cerca de 13% das exportações brasileiras destinadas à Venezuela, mantendo-se como o segundo maior exportador e o quarto maior importador entre os estados nesse fluxo.
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Atualmente, as vendas gaúchas para o mercado venezuelano estão fortemente concentradas no agronegócio e na indústria de alimentos. Os cereais, com destaque para o arroz, representam 51,5% das exportações. No sentido inverso, 96,2% das importações são compostas por adubos e fertilizantes.
“O arroz é um caso sensível. O estado enfrenta preços pressionados, mercado interno saturado e a entrada de uma nova safra. A Venezuela sempre foi um destino importante, e qualquer instabilidade adicional afeta diretamente esse equilíbrio”, ressalta Bier. Setores como o tabaco e a indústria moveleira da Serra Gaúcha também figuram entre os mais expostos a esse tipo de instabilidade.