Apostar sempre fez parte da vida. O bolão entre amigos, a loteria, o palpite no resultado do jogo. Era algo limitado, físico, social. O que mudou não foi o comportamento humano. Foi a tecnologia.

Foto: RICCARDO MILANI/HANS LUCAS/AFP
Hoje, algoritmos definem as odds em tempo real, notificações chegam no celular durante os jogos, o pagamento é instantâneo e a interface foi desenhada para manter você dentro. A aposta de sempre ganhou uma camada tecnológica que mudou completamente sua escala e seu impacto.
E aqui está o ponto que me interessa: a tecnologia não é neutra. Ela é ambígua. Pode ser usada para conectar pessoas, democratizar conhecimento, salvar vidas. Ou pode ser usada para potencializar comportamentos que beneficiam poucos.
As bets são um exemplo claro disso. A Copa do Mundo escancarou o tamanho do sistema: camisas, transmissões, influenciadores, tudo atravessado por um modelo de negócio que usa tecnologia de forma muito intencional para crescer.
Sou contra. Não ao ato de apostar em si, que sempre existiu, mas ao sistema tecnológico desenhado para crescer e lucrar, sem nenhuma preocupação real com a saúde financeira de quem usa. Muitas pessoas no Brasil estão cada vez mais enredadas nisso, achando que a próxima aposta vai pagar a dívida da anterior.
O que me preocupa não é o palpite de fim de semana. É a máquina construída ao redor dele. O palpite de sempre agora tem algoritmo. E o algoritmo carrega a consciência de quem o criou.
LEIA TAMBÉM