Imagina você opinar sobre uma comida sem nunca ter provado. Dizer se é boa ou ruim, doce ou salgada, leve ou pesada, só pelo cheiro ou pela aparência. Dá pra imaginar. Dá pra especular. Mas saber de verdade, só sentindo o sabor.
E aqui mora uma curiosidade da nossa língua: saber e sabor têm a mesma origem. Em latim, sapere significava ao mesmo tempo conhecer e sentir o gosto. Para os antigos, conhecer algo de verdade exigia experimentar.
Tenho pensado muito nisso quando o assunto é tecnologia. Muita gente opina, critica, torce o nariz ou defende com convicção quando se fala em inteligência artificial. Mas dá pra notar, quase sempre, que nunca usou de verdade.
É a mesma comida que ninguém provou, mas todo mundo tem certeza do gosto. E isso vale para qualquer tecnologia nova que aparece. A opinião sem experiência costuma ser a mais barulhenta e a menos confiável.
Não estou dizendo que experimentar resolve tudo ou que quem usa concorda com tudo. Estou dizendo que a experiência muda a qualidade da opinião. E que a tecnologia, como qualquer coisa nova, reserva surpresas pra quem tem coragem de provar.
Eu mesmo me surpreendo com frequência. Surpresa, aliás, é o estado mais comum de quem experimenta de verdade. Qual tecnologia você ainda não provou, mas já decidiu que não gosta?