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TEC E INOVAÇÃO

FELIPE MENEZES: Inovar para quem vem depois

A ironia é incômoda: nunca tivemos vidas tão longas e horizontes tão curtos

Publicado em: 08/06/2026 às 00h:20 Última atualização: 08/06/2026 às 00h:20
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Li recentemente sobre um dilema que não me saiu da cabeça. Vivemos mais do que qualquer geração anterior. A expectativa de vida cresce, a medicina avança, a tecnologia prolonga. E, ao mesmo tempo, nossas decisões são cada vez mais de curto prazo.

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Pensamos no trimestre, na próxima eleição, no resultado do mês. A ironia é incômoda: nunca tivemos vidas tão longas e horizontes tão curtos. Nunca tivemos tantas ferramentas para pensar o futuro e tão pouco costume de usá-las para isso.

Essa lógica aparece em quase tudo. Nas empresas que inovam para resolver o problema de hoje sem pensar no impacto de amanhã. Nas cidades que crescem sem planejamento de longo prazo. Nas decisões tecnológicas tomadas pela velocidade, não pela direção.

A inovação virou sinônimo de rapidez. Lançar antes, escalar rápido, ajustar depois. Mas inovar com responsabilidade exige uma pergunta diferente: isso que estou construindo agora vai servir para quem vem depois de mim?

Penso nos meus filhos. Nos filhos deles. Nas decisões que estão sendo tomadas hoje em energia, alimentação, tecnologia, educação, e que vão chegar na vida de pessoas que ainda nem nasceram.

Essas escolhas não são abstratas. São concretas, estão acontecendo agora, e vão durar muito mais do que a gente imagina. A pergunta que deixo é simples: se seus netos ou bisnetos pudessem ver as escolhas que você está fazendo hoje, o que eles diriam?

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