Quando você manda um currículo para uma grande empresa, existe uma chance real de que nenhum ser humano leia o que você escreveu. Um programa de inteligência artificial recebe as candidaturas, analisa o perfil e decide quem avança e quem é descartado, antes de qualquer olho humano ver o documento.
Quem não passa por esse filtro dificilmente fica sabendo o motivo. Não tem retorno, não tem explicação. A porta simplesmente não abre. Isso já é realidade em mais de 90% das grandes empresas americanas.

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Um estudo da Universidade Stanford analisou mais de 4 milhões de candidaturas e descobriu algo ainda mais grave: muitas empresas usam o mesmo programa de IA para selecionar candidatos.
Quando isso acontece, os mesmos perfis são sempre aprovados e os mesmos sempre reprovados em qualquer empresa que use o sistema. O candidato que não passa numa seleção provavelmente não passará em outra com o mesmo programa. Sem saber disso, ele continua tentando, achando que cada processo é uma chance nova.
O estudo mostrou que esses programas reproduzem discriminação racial, mesmo sem ter acesso ao nome ou aparência do candidato. A inteligência artificial aprende padrões e repete vieses sem ninguém precisar programar isso. Não é ficção científica e não é só coisa de empresa americana.
É muito provável que isso já tenha acontecido com você. Da próxima vez que você não receber retorno de uma seleção, pergunte se houve triagem automatizada. Exija uma resposta. Quanto mais pessoas fizerem isso, mais chances temos de questionar esse sistema.
*Felipe Menezes é um futurista, empreendedor e palestrante que atua como colunista de inovação e tecnologia do Grupo Sinos. Acompanhe todas as colunas aqui.