Algo chamou minha atenção nos últimos dias. Grandes marcas de chuteiras, equipes diferentes, em países diferentes, lançaram para a Copa do Mundo produtos praticamente na mesma cor: rosa.

Foto: STEFAN KOOPS/NURPHOTO/NURPHOTO VIA AFP
Sem combinação prévia, sem cópia aparente. Cada uma com seu processo criativo, suas pesquisas, seus designers. E ainda assim chegaram quase ao mesmo lugar. A coincidência é curiosa. Mas o que me intrigou não foi a cor em si. Foi o que ela pode dizer sobre como estamos pensando e criando.
Talvez não estejamos ficando parecidos porque copiamos uns aos outros. Talvez estejamos ficando parecidos porque consumimos as mesmas referências, aprendemos com as mesmas fontes e fazemos perguntas cada vez mais parecidas.
Num mundo onde o acesso à informação é praticamente o mesmo para todo mundo, a originalidade vira um desafio diferente. Quem consome as mesmas fontes tende a chegar nas mesmas respostas. A diferença começa onde a referência termina.
A chuteira rosa é só uma desculpa para falar sobre algo maior. Esse fenômeno de convergência está em todo lugar: nos produtos que as empresas lançam, nas estratégias que os negócios adotam, nas tendências que circulam nos eventos de inovação.
Quando todo mundo aprende nas mesmas fontes e consome os mesmos conteúdos, as respostas tendem a se parecer. Coincidência ou não, o fenômeno é real. E está em muito mais lugar do que só numa Copa do Mundo.