A maioria das empresas cria produtos olhando para dentro. Pesquisa de mercado, análise de concorrência, reunião de diretoria. O resultado costuma ser previsível.

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A Fruki, empresa gaúcha com mais de cem anos, decidiu tentar algo diferente. Em vez de desenvolver um novo sabor internamente, abriu o processo para o público.
Criou um laboratório itinerante que percorreu eventos no Sul do Brasil, convidando consumidores a criar suas próprias combinações. Foram mais de 30 mil experimentos registrados.
Nesta semana estive no lançamento do segundo produto desse processo: um guaraná sabor pipoca, zero açúcar, desenvolvido a partir dos dados coletados com o público e pensado para a Copa do Mundo.
A ideia é simples: o consumidor que assiste aos jogos em casa provavelmente está comendo pipoca. Por que não criar um refrigerante para esse momento? O sabor surgiu dos dados. A ocasião surgiu do comportamento. O produto é o resultado de ouvir e observar o consumidor antes de desenvolver, não depois.
Inovação aberta não é novidade no mundo, mas ainda é rara no Brasil. A maioria das empresas continua criando produtos para os clientes, não com eles. Não por falta de tecnologia, mas por um hábito difícil de quebrar: o de achar que sabe o que o consumidor quer sem observar o que ele faz.
A diferença entre as duas abordagens pode definir se um lançamento faz sentido ou vai para a prateleira do esquecimento. A sua empresa cria olhando só para dentro, ou já aprendeu a observar quem está do lado de fora?