No último domingo (19), mais de cem robôs humanoides disputaram uma meia maratona em Pequim ao lado de 12 mil corredores humanos. O vencedor, desenvolvido pela empresa chinesa Honor, completou os 21 quilômetros em 50 minutos e 26 segundos, abaixo do recorde mundial humano de 57 minutos.
Em um ano, o tempo caiu de duas horas e 40 minutos para menos de uma hora. Uma evolução que poucos esperavam tão rápido. E foi exatamente isso que a China queria que o mundo visse.
Assisti às imagens com atenção. Um dos robôs cruzou a linha de chegada e seguiu correndo, sem parar, sem comemorar. Recebeu uma medalha sem nenhuma emoção. Não havia conquista ali, só execução.
E foi nesse momento que a provocação me veio com mais força: o que de fato estamos celebrando? Um avanço tecnológico real, sim. Mas também uma vitrine milionária para empresas que precisam de atenção, investimento e contratos. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo.
Não tenho dúvida de que robôs humanoides vão transformar indústrias e resolver problemas que humanos não conseguem ou não querem resolver. Já existem aplicações reais em logística, inspeção industrial e ambientes de risco.
A corrida de Pequim é espetáculo, mas é também laboratório. Em um ano o avanço foi enorme, e isso não é pouca coisa. O que me intriga não é a velocidade do robô. É a velocidade com que isso pode deixar de ser corrida e virar solução.