O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, se reuniu nesta segunda-feira (11) com o coordenador da bancada federal gaúcha no Congresso Nacional, deputado Marcelo Moraes (PL). A reunião serviu para que os dirigentes da entidade solicitassem que deputados e senadores defendam uma negociação diplomática entre Brasil e EUA.
Na visão de Bier, as exportações estão sendo penalizadas pela disputa. “Precisamos que os parlamentares utilizem todos os canais possíveis para viabilizar apoio à nossa indústria. É preciso defender uma postura de negociação diplomática para que a situação não seja ainda mais prejudicial ao Brasil”, reforçou.

Foto: Leonardo Dalla Porta/Fiergs
A indústria cobra agilidade do governo federal no auxílio às empresas afetadas pelo tarifaço de 50% imposta aos produtos brasileiros pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A expectativa é que o apoio envolva questões trabalhistas, de acesso ao crédito e de compensações tributárias.
“Teremos desemprego, teremos fuga de empresas. Entramos em mais uma semana decisiva, pois o governo federal deve anunciar as medidas entre hoje [segunda] e amanhã [terça-feira]. Por melhor que sejam, serão paliativas”, afirmou o presidente da entidade.
Já o deputado afirmou que a pressão política por uma resolução diplomática deve continuar. “Essas tarifas estão sendo aplicadas no mundo todo. Vou levar as proposições à bancada, o que nos cabe é pressionar por uma resolução”, disse Moraes.
O coordenador do Conselho de Articulação Política (Coap) do Sistema Fiergs, Diogo Paz Bier, ressaltou que, mesmo que a negociação das medidas seja feita pelo Poder Executivo, é essencial a articulação com a bancada federal. “Temos que mostrar o quanto nossa cadeia produtiva corre risco. Queremos passar esse cenário para que a bancada nos ajude a chamar atenção do governo federal”, afirmou.
“Celeridade diante do risco de demissões em massa”
De acordo com o vice-coordenador do Conselho de Comércio Exterior (Concex) do Sistema Fiergs, Leonardo De Zorzi, a situação exige “celeridade” diante do risco de “demissões em massa”. O industrial defende a “articulação política” como forma de sensibilizar e buscar apoio aos setores mais afetados, uma vez que já há um “congelamento dos negócios” e que “é muito difícil um produto sair ileso com tarifas de 40% ou 50%”.
Entre os ramos industriais, armas de fogo têm a maior exposição aos EUA, com 85,9% de suas vendas direcionadas ao país. Transformadores aparecem na sequência, com 79,3%. Quando se analisa o emprego, o ramo de calçados de couro, com 47,5% das exportações para os norte-americanos, é o que tem maior número de trabalhadores: 31,5 mil.
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