A indústria calçadista nacional já sentiu os impactos do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, e o Brasil pode se beneficiar do imposto, especificamente, para a China. O que começou como uma tarifa de 34% imposta pelo presidente Donald Trump virou uma “guerra de tarifas” após o país chinês retaliar os norte-americanos com outros 34% sobre produtos dos EUA e restrições a minerais raros.
A bola de neve seguiu e Trump aumentou para 104%, já que o governo da China manteve a retaliação. Com a resposta dos EUA, os chineses subiram para 84%. Na quarta (9), o governo norte-americano anunciou pausa de 90 dias no tarifaço aos países que não retalharam, mas subiu ainda mais o tom com o país chinês e a tarifa aumentou para 125%.
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Foto: Molly Riley/Fotos Públicas
Conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a alta tarifa imposta deve fazer com que os compradores norte-americanos busquem alternativas de fornecimento fora da China, o que abre uma janela de oportunidade para o calçado do Brasil – e também para os concorrentes asiáticos que ficaram fora da escalada de tarifas proposta, como Vietnã e Indonésia.
Contudo, a entidade acredita que o maior mercado do planeta deve frear seu crescimento devido à alta da inflação e à desaceleração econômica. Há ainda um prisma que preocura: a desova da produção chinesa no mercado doméstico brasileiro, o que gera uma concorrência desleal com as produtoras brasileiras.

Foto: Freepik
Conforme dados da Abicalçados, somente no mês de março, as importações de calçados aumentaram 47,7%, em relação ao período correspondente de 2024, o que significa a entrada de mais de 5 milhões de produtos no Brasil. A principal origem foi, justamente, a China, de onde foram importados 2,55 milhões de pares, 51,7% mais do que em março de 2024.
“Essa invasão ocorre antes mesmo da entrada em voga da nova tarifa. A previsão é de que aumente ainda mais nos próximos meses”, alerta o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.
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Produzindo cerca de 60% do calçado consumido no mundo, a China é, de longe, a maior fabricante global de calçados. “O certo é que a China não ficará sem escoar essa produção e precisará direcioná-la para outros mercados, entre eles países importadores do nosso calçado e no nosso próprio mercado doméstico”, conclui Ferreira.
No trimestre, as importações também cresceram. No período, entraram no Brasil 12,9 milhões de pares por US$ 142,33 milhões, incrementos tanto em volume (+25,1%) quanto em receita (+13,4%) em relação ao mesmo intervalo de 2024. Nesse mesmo período, as importações de calçados da China somaram 5,2 milhões de pares, 18% mais do que no intervalo correspondente de 2024.