A Petrobras iniciou o investimento de R$ 557 milhões na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas. O montante destina R$ 467 milhões para a parada de manutenção de quatro unidades industriais da refinaria, responsáveis por um terço da produção, e R$ 90 milhões para 20 projetos que visam o aumento de confiabilidade, de rentabilidade, de segurança operacional e também de transição energética para otimizar a energia e reduzir a emissão de carbono.

Foto: Gustavo Etcheverry/Refap
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Iniciada no dia 18 de maio, a parada de manutenção foi dividida em blocos, ou seja, o serviço nas unidades não ocorrerá simultaneamente. Serão realizadas inspeções normativas, manutenções preventivas e corretivas. Os processos incluem abertura de equipamentos, inspeções internas, avaliação de integridade e execução de reparos. As intervenções visam aumentar a eficiência e rentabilidade no processo produtivo e realizar atualizações tecnológicas de confiabilidade e segurança.
Segundo o gerente-geral da Refap, Marcus Aurelius Valenti, a parada programada de manutenção não afetará o abastecimento ao mercado. A previsão de conclusão dos trabalhos de manutenção das quatro unidades é para o dia 8 de agosto.
“Fizemos estoques prévios. Foi realizado um planejamento para que, durante o período com produção reduzida, a companhia atue de forma integrada com as áreas comercial e de logística, internalizando derivados de outras regiões”, explica.
De acordo com Valenti, no auge dos trabalhos da parada de manutenção serão empregadas 2.900 pessoas por meio de cerca de 20 empresas que prestam serviço para as quatro unidades industriais da Refap.
“Aproveitar a mão de obra local é prioridade. A expectativa é preencher as vagas com 80% com trabalhadores de Canoas e Esteio. Os outros 20% serão gestores, supervisores e fiscais que vêm das empresas de outros locais do Brasil.”
Transição energética
A transição energética está entre os destaques dos investimentos, de R$ 1 bilhão até 2030, na Refap, destaca o gerente-geral.
“Temos dois grandes projetos para os próximos anos. O primeiro deles é a motorização da maior turbina a vapor da refinaria de uma unidade produtora de gás liquefeito de petróleo, o GLP, e de gasolina. Hoje, a turbina é movida a vapor a partir da queima de combustível fóssil, com emissão de CO2. Vamos transformar em um grande motor elétrico. Com isso, está previsto deixar de emitir 220 mil toneladas de C02 por ano. É o maior projeto de descarbonização que temos na Refap”, frisa.
Já o segundo projeto será uma nova unidade hidrotratamento (HDT) de diesel. Atualmente, a refinaria possui duas unidades.
“Processamos 32 mil metros cúbicos de petróleo por dia. A extinção do [diesel] S500 está prevista para até 2029. Então, a Refap teria que reduzir a capacidade de produção, pois não teria condição de tratar todo o diesel que produz. Quando o S500 não existir mais e o mercado for só de diesel S10, vamos precisar dessa nova unidade de hidrotratamento [HDT3] para fornecer todo o diesel da Refap.”
Conforme Valenti, a Petrobras trabalha com plano estratégico e de negócios a cada 5 anos.
“Estamos cumprindo o plano que saiu em novembro de 2024, que chamamos de 2025/2029. Em novembro deste ano deve sair o plano de negócios 2026/2030. A cada reedição no plano, podem ocorrer alterações, como antecipação, inserção ou o cancelamento de projetos. Tudo é revisto.”
A Refap prevê a criação de 20 mil novos postos de trabalho (diretos e indiretos) até 2031.
“A maioria da contratação da mão de obra começa no período de construção e montagem. O pico deve ocorrer a partir do segundo semestre de 2027”, finaliza.