Aprovada na semana passada, a lei do Combustível do Futuro prevê R$ 260 bilhões em investimentos ao contar com iniciativas que buscam promover a mobilidade sustentável de baixo carbono. A partir da norma, serão criados programas nacionais de diesel verde, de combustível sustentável para aviação e de biometano, além de aumentar a mistura de etanol e de biodiesel à gasolina e ao diesel, respectivamente.
Ela também institui o marco regulatório para a captura e a estocagem de carbono. E o Rio Grande do Sul tem potencial para tudo isso.
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Foto: Divulgação/CRVR
“O projeto nasceu muito da necessidade das indústrias atingirem as metas de descarbonização. Essa lei vem pra impulsionar estes projetos. Nós vemos com ótimos olhos esta legislação que tem 3 grandes marcos: o do combustível verde, com o aumento do percentual de etanol na gasolina, e olhando para o Estado temos potencial de produzir o etanol através da soja e temos também o biodiesel com grande potencial no RS; o combustível pra aviação, produzido por óleo vegetal e gordura animal, algo também que o RS tem e o biometano, que é onde nos encaixamos”, explica o diretor operacional da empresa, Rafael Salamoni, que prevê novos investimentos na região e no Estado a partir disso.
“A legislação prevê uma meta que pode variar de 1 a 10% de substituição com o biometano e isso nos fortalece no sentido de ampliar nossos projetos, como a unidade de Minas do Leão e também a nova planta de São Leopoldo.” Conforme Salamoni, a de Minas do Leão, que deve começar a operar em junho de 2025, produzirá 60 mil metros cúbicos por dia de biometano.
Em São Leopoldo, a nova planta, que entra em operação em junho de 2026, produzirá 34 mil metros cúbicos ao dia. “Até 2027, poderemos chegar a 166 mil metros cúbicos”, adianta o diretor que lembra de outros benefícios. “Traz avanço em novas tecnologias e oportunidades para o setor automobilístico e de transporte.”
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Estado quer ampliar atuação do segmento
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Ernani Polo destaca que o segmento será potencializado no RS. “Temos uma capacidade industrial instalada importantíssima em biodiesel e estamos avançando em etanol. Estamos trabalhando e confiantes de que podemos ter mais investimentos no Estado”, afirma.
O secretário informou que o governo tem conversado com empreendedores, empresas e cooperativas que têm intenção de aplicar recursos neste setor. “E estamos trabalhando em conjunto com a secretaria da Fazenda, foi um pedido do governador Eduardo Leite, para que assim possamos criar condições, as melhores possíveis, para ajudar o setor que é extremamente relevante no nosso Estado.”
Melhor opção para a economia e para o meio ambiente
O professor do Programa de Pós-Graduação em Qualidade Ambiental da Feevale, Marco Antônio Siqueira Rodrigues, lembra que o combustível do futuro é uma necessidade real e urgente. “Há muito tempo que se fala que os combustíveis fósseis estão terminando e ficando mais caros. Hoje a gente não precisa mais usar o petróleo, é mais uma questão econômica mesmo”, diz.
Rodrigues é coordenador de um projeto da universidade que estuda formas de gerar energia a partir de resíduos do setor moveleiro em parceria com uma fábrica da Serra. “Já existem várias alternativas, como o uso da biomassa. Com a nova lei o caminho é esse, o uso de combustíveis alternativos. É uma visão global. A Europa toda está indo para o caminho dos carros elétricos, aqui, em grandes cidades, já temos também.”
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Reforma tributária e preocupações com custos
A Nexus Bionergia, com planta industrial em São Sebastião do Caí, trabalha no mercado do etanol há 25 anos. A proprietária da empresa, Karin More, comemora a notícia, mas faz ponderações. Para a empresária, há outros pontos importantes que deveriam vir antes disso, como a reforma tributária.
“Tudo que for para cuidar do meio ambiente é e deve ser usado. Mas me questiono sobre o ponto crucial que é a reforma tributária. Acho que é a grande barreira até mesmo para o custo na bomba de combustível. A lei é importante, mas será que teremos condições de abastecer esse número e a que preço?”, avalia.
A empresária também observa que há a necessidade de priorizar a parte logística, como ampliar o número de ferrovias, hidrovias e portos, além de fomentar os incentivos para as pequenas indústrias do País.