Com os produtos brasileiros taxados em 50% para o mercado dos Estados Unidos, empresários e entidades se reuniram na Federasul, para o “Tá Na Mesa”. O evento é realizado semanalmente em Porto Alegre, quando são discutidos temas relevantes para o desenvolvimento do Estado.
No encontro desta quarta-feira (6), as lideranças falaram sobre os impactos reais das sanções americanas para a economia do Rio Grande do Sul. Estiveram presentes o presidente do Conselho da Associação Brasileira de Proteína Animal e ex-ministro da Agricultura no governo Fernando Henrique Cardoso, Francisco Turra, a coordenadora da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Priscila Linck, o presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior e o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing.

Foto: Federasul/ Divulgação
Em sua fala inicial, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, afirmou que o tarifaço é uma sanção política do presidente dos EUA, Donald Trump. “É uma resposta a uma postura hostil do Brasil a interesses econômicos, políticos e geopolíticos dos americanos. O Brasil vem hostilizando valores dos americanos.”
Segundo Costa, o País “restringiu a liberdade de cidadãos americanos e de empresas americanas.” O empresário explica que por mais prejudicial que seja para o mercado brasileiro, a decisão de Trump é um direito dos EUA. “Os americanos têm a soberania de definir de quem vão comprar, ou não. Precisamos reconhecer que as decisões dizem respeito a soberania americana.”
Costa também chamou as ações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de eleitoreiras. “O presidente Luiz Inácio fez ataques ao dólar e juntou o Brics em um ataque ao dólar como padrão externo”, afirmou, se referindo ao de cooperação econômica formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Interesses na mesa
Francisco Turra explicou que na sua visão, países não têm amigos, apenas interesses. “Politicamente estamos vivendo um momento de descuido, descaso, falta de ética e etc. Isso está nos levando a uma tarefa complicada para resolver problemas econômicos.”
No entanto, reforça que o setor de proteína animal não deve ser tão impactado no RS, já que explora outros mercados além do estadunidense. “ O setor que não abre mercado fechou as portas para o seu destino.”
Já a representante da Abicalçados, Priscila Linck reforça que a indústria calçadista depende dos Estados Unidos. “As tarifas praticamente inviabilizam nossas exportações, especialmente frente aos nossos concorrentes [países asiáticos].”
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