As exportações brasileiras para a Argentina cresceram 55,4% no primeiro semestre de 2025, trazendo alívio para a balança comercial do País.
Em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, o crescimento acelerado da economia argentina se tornou positivo para o mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (21), de acordo com o Estadão, os valores comercializados atingiram US$ 9,120 bilhões.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A melhora da economia e a valorização do câmbio surgem após período de recessão causado inicialmente pelas medidas do presidente Javier Milei.
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Setor automotivo
O setor que lidera as vendas para o mercado argentino é o automotivo. Segundo a Anfavea, a produção de veículos no Brasil alcançou 1,227 milhão de unidades nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 88.782 unidades em comparação ao mesmo período de 2024. As exportações do setor subiram em 98.850 unidades, passando de 165.299 para 264.149.
Atualmente, a Argentina representa 60% das exportações brasileiras de veículos, o maior percentual desde 2018, quando atingiu 68%. Em 2024, essa participação foi de 34%.
Andrea Serra, diretora tributária e de comércio exterior da Anfavea, afirma que “as exportações tiveram contribuição fundamental para o desempenho da indústria neste ano”.
De acordo com o Ministério da Indústria, Desenvolvimento, Comércio e Serviços, a Argentina foi responsável por 5,5% do total das exportações brasileiras entre janeiro e junho, ficando atrás apenas da China (28,7%) e dos Estados Unidos (12,1%).
Além dos automóveis, produtos químicos e alimentícios também têm relevância na pauta de exportação para o país vizinho.
A pesquisadora Lia Valls Pereira, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, explica o fenômeno: “O peso está extremamente valorizado. O grosso do comércio é no setor automotivo. Não estamos exportando produtos diferentes. A diferença é que agora está muito mais interessante para as empresas venderem o carro brasileiro na Argentina, que sai muito mais barato”.
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Recuperação da economia argentina
A economia argentina mostra sinais claros de recuperação. No primeiro trimestre de 2025, o PIB do país cresceu 5,8% em comparação ao mesmo período de 2024. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o avanço foi de 0,8%.
Esse crescimento é resultado das medidas implementadas pelo presidente Javier Milei desde dezembro de 2023, que incluíram uma rigorosa política fiscal e a desvalorização do peso.
O economista Fabio Giambiagi contextualiza: “No começo do ano passado, havia um câmbio hiper desvalorizado, contraindo as importações, porque elas eram caríssimas, e estimulando as exportações. E você tinha um nível de atividade muito deprimido por causa da recessão econômica e, consequentemente, gerando saldos de exportações”.
A situação econômica da Argentina passou por transformações nos meses seguintes. Dante Sica, ex-ministro da Produção e do Trabalho e sócio fundador da consultoria Abeceb, observa que “a competitividade cambial caiu quase 40% em termos reais, atingindo um piso em janeiro de 2025. Esse fator, somado à extraordinária recuperação econômica, fez com que as importações chegassem a valores recordes no primeiro trimestre deste ano, reduzindo significativamente o superávit comercial”.
Para enfrentar a escassez de dólares, o governo argentino implementou medidas como a flexibilização dos controles financeiros, permitindo que os argentinos “tirassem os dólares do colchão”.
Em abril, o país firmou um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional, com duração prevista de 48 meses e empréstimo de US$ 20 bilhões.
Desse valor, US$ 12 bilhões foram liberados imediatamente. As reservas argentinas somam atualmente US$ 40 bilhões, incluindo empréstimos do FMI e de outros organismos internacionais.
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Desafios
Apesar dos avanços, persistem desafios. Lia Valls Pereira aponta que “todo mundo sabe que esse câmbio como está é um problema, porque o custo de vida do argentino está absolutamente alto”.
Giambiagi reconhece a dualidade da situação: “Que há uma recuperação é um fato inegável. O que não quer dizer que não haja problemas. Os problemas claramente estão localizados no setor externo”.
O economista acrescenta: “O que está acontecendo este ano é exatamente o espelho oposto do que aconteceu no ano passado.”
“Apesar dos ruídos de curto prazo de uma economia que está aprendendo a flutuar, não vemos condições para que ocorram choques ou mudanças dramáticas no cenário (como um salto abrupto do câmbio)”, avalia Dante Sica.
Ele complementa que “isso porque, hoje, os ruídos – ao contrário do que ocorria no passado – acontecem dentro de um quadro macroeconômico muito mais sólido”.
Com informações de Estadão.