A relação entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, principais sócios da Azzas 2154, vive um novo capítulo de tensão. A companhia, formada pela fusão entre Arezzo e Soma em 2024, tem em Campo Bom, no Vale do Sinos, uma de suas operações mais importantes.

Foto: Nicolas Calligaro/Divulgação
Na terça-feira (12), Jatahy obteve uma medida cautelar na Justiça contra Birman, CEO da empresa. O pedido foi apresentado para impedir a separação dos negócios da Reserva da estrutura de vestuário da Azzas, no Rio de Janeiro, e sua eventual união à operação de básicos, como defende Birman.
Disputa sobre a Reserva
No centro do conflito está a estratégia de reorganização da Reserva dentro da Azzas 2154. Jatahy sustenta que o trabalho de sinergia já vinha gerando resultados práticos e deveria continuar nos moldes em que estava sendo conduzido. A discussão envolve o controle da marca e o caminho escolhido para ampliar ganhos operacionais e comerciais após a fusão.
Segundo a empresa, a integração da Reserva poderia trazer sinergias relevantes. Em jogo, está a preservação de cerca de R$ 116 milhões de Ebitda estimados a partir dessa reorganização. A medida judicial, porém, travou temporariamente os planos e elevou a disputa entre os sócios.
Resposta de Birman
Na quarta-feira (13), Birman entrou com agravo de instrumento no Tribunal de Justiça, com pedido de efeito suspensivo, para tentar derrubar a cautelar concedida a favor de Jatahy. O entendimento de Birman é de que a reorganização da Reserva cabe exclusivamente ao CEO da companhia.
Após a saída de Ruy Kameyama, no fim do mês passado, o cenário ficou ainda mais sensível. Até então, Jatahy e Kameyama teriam trabalhado juntos nos ganhos de sinergia da Reserva, em uma iniciativa ligada às operações do grupo no Rio de Janeiro. Com o desligamento, Birman passou a defender que a marca ficasse sob seu comando direto.
O que está em jogo
A disputa revela divergências sobre a condução da integração após a fusão entre Arezzo e Soma. De um lado, Jatahy avalia que o processo já estava em andamento e deveria seguir sob a mesma lógica. Do outro, Birman afirma que a reorganização precisa ser tocada por ele, em razão de sua posição como CEO.
Enquanto a Justiça analisa os pedidos, permanece a incerteza sobre o futuro da Reserva dentro da Azzas 2154 e sobre o impacto da disputa na estratégia de geração de sinergias do grupo.