De 2015 a 2025, o Rio Grande do Sul registrou ao todo 341 processos judiciais relacionados à síndrome de burnout. O Estado ocupa a 7ª posição no ranking nacional, representando 2,52%% do total brasileiro que é de 13.515 casos. Os dados são do estudo inédito da Predictus, empresa de tecnologia da informação, que conta com a maior base de processos judiciais do País.

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O número de processos motivados por esgotamento profissional no Rio Grande do Sul cresceu 241,7%, acompanhando a tendência nacional, embora com intensidade menor que a média brasileira (+311%). No ranking de cidades com maior número de processos por adoecimento no trabalho estão três da região.
A análise feita em 68 municípios com casos registrados mostra Porto Alegre no topo, com 147 casos. Depois vem Caxias com 22 e Novo Hamburgo com 18. Canoas aparece em 4ª lugar com 12 e São Leopoldo está na 7ª posição totalizando 7 processos por burnout.
Levando em consideração a Região Metropolitana, que neste caso considerou o Porto Alegre, Canoas, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Esteio, Gravataí e Campo Bom, são 184 processos (54,0% do total estadual).
Para o fundador da Predictus Hendrik Eichler, “a concentração de 43,1% dos casos em Porto Alegre, somada aos 54,0% na região metropolitana, estabelece padrão de centralização que supera a maioria dos estados brasileiros. Esta característica sugere tanto concentração econômica quanto possível maior sensibilidade do sistema judiciário metropolitano às questões de burnout.”
O estudo ainda revelou que o pico de casos ocorreu em 2023 com o registro de 76 processos, representando um crescimento de 533% em relação a 2015 (12 processos). Ele coincide com período de maior pressão sobre o sistema de saúde gaúcho, setor predominante nos casos estaduais.
Setor com mais processos
Conforme levantamento da Predictus, o setor que mais registrou processos envolvendo burnout foi o de saúde. As atividades de atendimento hospitalar lideram com 69 processos (20,2% do total estadual), configurando uma concentração significativa e superior à média nacional para este segmento.
Na sequência, vem o setor de educação superior com 21 processos (6,2%), seguido pela administração pública com 19 processos (5,6%). Esta composição contrasta com o padrão nacional, onde o setor financeiro tradicionalmente ocupa posições de destaque.
“Esta concentração reflete características específicas do sistema de saúde gaúcho, incluindo a presença de grandes complexos hospitalares em Porto Alegre e Região Metropolitana, bem como a tradição do estado em serviços de saúde de alta complexidade, além das pressões específicas enfrentadas pelos profissionais de saúde durante a pandemia de Covid-19“, avalia Eichler.
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O que é burnout
De acordo com o Ministério da Saúde a síndrome de burnout ou síndrome do esgotamento profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho.
Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, dentre outros.