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ECONOMIA

"Um grande balde de água fria": Entidades se manifestam sobre tarifa de 50% imposta por Trump ao Brasil

Fiergs e Abicalçados expressaram preocupação com anúncio do norte-americano; Lula citou reciprocidade econômica

Nadine Funck
Publicado em: 09/07/2025 às 20h:18 Última atualização: 09/07/2025 às 20h:21
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O presidente norte-americano Donald Trump fez um anúncio na tarde desta quarta-feira (9) que pegou os empresários brasileiros de surpresa.

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Com o argumento de que ordens judiciais “censuram” mídias sociais norte-americanas e inibem a liberdade de expressão de cidadãos dos Estados Unidos – ataques que teriam sido feitos pelo STF – Trump não demorou a impor tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros durante nova rodada de aumentos tarifários a uma série de países.

Essa manifestação já afetou o dólar, que fechou acima dos R$ 5,50, número que não era visto desde o dia 25 de junho. Além da manifestação do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, que expôs que essa imposição “ultrapassa todos os limites e inviabiliza comércio com EUA”, entidades gaúchas manifestaram preocupação com a decisão e clamam pela parceria comercial para acalmar os ânimos.

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Foto: Freepik

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Para o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, o anúncio pode ameaçar bom momento das exportações de calçados. “No primeiro semestre, estávamos, aos poucos, recuperando mercado nos Estados Unidos, apesar de todas as instabilidades. O anúncio do presidente Trump, com novas tarifas a partir do dia 1º de agosto, é um grande balde de água fria para o setor calçadista brasileiro”, lamenta.

Ferreira, ressalta, ainda, que “os Estados Unidos, em linhas gerais, têm um déficit comercial, mas com o Brasil tem superávit, não justificando a medida”.

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A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), por sua vez, reforça que os EUA são parceiros comerciais estratégico para o Rio Grande do Sul, ocupando, em 2024, a segunda posição entre os principais destinos das exportações gaúchas, com mais de US$ 2,1 bilhões exportados no ano.

Conforme a entidade, produtos industrializados como químicos, máquinas, alimentos processados, calçados e couro compõem grande parte dessa pauta. “Medidas dessa natureza afetam diretamente a previsibilidade e a estabilidade das relações comerciais, comprometendo a competitividade da indústria brasileira. Nosso foco permanece na defesa do livre comércio, do diálogo internacional e da segurança jurídica para as empresas exportadoras do Rio Grande do Sul.”

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LEIA TAMBÉM: Tarifa de 50% dos EUA sobre o Brasil eleva taxas futuras nesta quarta-feira (9)

“Esperamos que essa medida seja revista antes de sua entrada em vigor, permitindo o restabelecimento da normalidade nas relações comerciais e a manutenção de um relacionamento bilateral construtivo, baseado em mais de 200 anos de cooperação e respeito mútuo entre Brasil e Estados Unidos”, expôs a Fiergs por meio de nota.

Lula cita reciprocidade econômica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o X (ex-Twitter) na noite desta quarta para se manifestar sobre diversos posicionamentos de Trump nos últimos dias.

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Ele citou as falas do presidente norte-americano em defesa de Jair Bolsonaro (PL), acusado de trama golpista. “O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais.”

Sobre o contexto das plataformas digitais, no qual o ministro Alexandre de Moraes foi citado pela Justiça da Flórida acusado de censurar conteúdos publicados nas redes sociais Rumble e a Trump Media, Lula expressou que “no Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas”. “Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira.”

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O presidente brasileiro ainda acrescentou: “É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos.”

“Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, concluiu.

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