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Crescimento populacional acelerado é desafio para a gestão de cidade do Vale

Araricá é o município do RS que teve o maior salto proporcional entre os Censos de 2010 e 2022

Publicado em: 05/02/2026 às 10h:27 Última atualização: 05/02/2026 às 12h:37
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Pleno emprego, sensação de segurança, tranquilidade, paisagens naturais e ruas floridas com azaleias. Essas características ajudaram a transformar Araricá, encravada entre os vales do Sinos e do Paranhana, no município com o maior crescimento proporcional de moradores entre os Censos de 2010 e 2022. E, nos últimos anos, a população local continuou crescendo.

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Em meio a boom populacional, Araricá vive momento de expansão imobiliária | abc+



Em meio a boom populacional, Araricá vive momento de expansão imobiliária

Foto: Geison Concencia/GES-Especial

Localizada a pouco mais de uma hora de Porto Alegre, a cidade atraiu mais de 7 mil novos moradores em uma década. O crescimento, no entanto, cobra um preço elevado da gestão pública, que enfrenta dificuldades para atender a uma população que praticamente dobrou em um curto intervalo de tempo.

De acordo com o IBGE, em 2010 Araricá tinha 4.864 habitantes. Já o Censo de 2022 apontou uma população de 8.525 habitantes, um aumento de aproximadamente 75%. Estimativas do próprio IBGE indicam que, em 2025, o município pode ter alcançado 8.831 habitantes. Extraoficialmente, a Prefeitura calcula que já são 11 mil moradores no município.

Com área territorial de 35,195 km², o desafio vai muito além da limitação física. A principal dificuldade está em oferecer serviços públicos de qualidade com uma estrutura planejada para uma realidade populacional muito menor.

Dos novos moradores de Araricá, boa parte são crianças de até 5 anos, o que pressiona diretamente áreas como educação e saúde. Segundo o prefeito Oseas Garcia (PL), a educação se tornou o principal desafio local, especialmente após a ampliação da obrigatoriedade do turno integral para as famílias que optam por essa modalidade de ensino.

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Garcia diz que não há falta de vagas, mas os espaços físicos estão sobrecarregados. Para atender à demanda, a Administração precisou construir novas salas de aula e adaptar estruturas existentes, como associações esportivas, para o funcionamento do turno integral.

Atualmente, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Murici Sementinha passa por ampliação, com a construção de novas salas para comportar o número crescente de alunos, entre outras obras na área. Os investimentos, conforme informado, estão sendo realizados com recursos próprios do município.

“A escola Leni Krupp já está lotada. Não tenho mais condições de manter o contraturno naquela estrutura. Por isso, desativei algumas sedes de campos de futebol, transferindo os alunos do turno integral para esses espaços. Após reformas, nesses locais serão realizadas oficinas como futebol, capoeira e dança”, afirma Oseas.

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Na área da saúde, o cenário é parecido. Segundo o prefeito, a população local não estava habituada a enfrentar longos períodos de espera por atendimento. 

O que fazer e com que dinheiro

Diante da pressão sobre os serviços públicos, a Prefeitura aponta estratégias para ampliar a arrecadação e reduzir o déficit financeiro. Entre elas estão a regularização de loteamentos e imóveis, o incentivo à instalação de empresas e à melhoria de indicadores sociais.

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No caso dos loteamentos, a Prefeitura identifica áreas que permaneceram irregulares por anos, gerando custos adicionais ao município. A ausência de projetos de drenagem por parte dos loteadores fez com que a administração assumisse despesas que, por lei, deveriam ser de responsabilidade dos proprietários das áreas. Segundo Oseas Garcia, ações judiciais foram movidas contra antigos proprietários para a revisão desses valores.

Outro eixo de atuação envolve o setor empresarial. Um dos indutores do crescimento populacional, as empresas também são vistas pela gestão como parte da solução financeira. A expectativa é que o aumento da atividade econômica contribua para equilibrar o orçamento municipal.

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Levantamentos da Prefeitura indicam que, apenas em janeiro deste ano, oito novas empresas se instalaram em Araricá. Em janeiro de 2025, o município contava com 1.046 empresas ativas. Em dezembro, esse número chegou a 1.276, um crescimento de 26,59%. Segundo a administração, esse avanço elevou o faturamento e resultou em um saldo orçamentário estimado em R$ 10 milhões.

A arrecadação gerada por esse crescimento é apontada como fundamental para a manutenção e ampliação dos serviços essenciais. “As empresas vêm onde há mão de obra”, afirma o prefeito.

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Mobilidade urbana e infraestrutura

A mobilidade urbana também sofreu impactos com o crescimento populacional. Atualmente, Araricá possui mais de 100 quilômetros de estradas, sendo cerca de 35 quilômetros de vias de chão batido no interior, 10 quilômetros de pedra irregular e aproximadamente 14 quilômetros de chão batido no perímetro urbano.

Além do aumento do fluxo de veículos, as ruas estreitas e a ausência de um sistema adequado de drenagem dificultam a circulação. “Com uma população maior, há mais trânsito”, observa o prefeito. Ele reconhece que, durante muitos anos, não houve um planejamento adequado para comportar essa demanda.

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“É preciso parar, olhar e perceber que Araricá cresceu. Hoje é uma cidade com o dobro de tamanho. O desafio é resolver os problemas de infraestrutura para garantir um desenvolvimento sustentável”, afirma.

As possíveis causas do crescimento

Não há uma definição única sobre o que motivou o crescimento populacional acelerado de Araricá. Entre as hipóteses estão a oferta de empregos, a disponibilidade de mão de obra e a localização estratégica, com fácil acesso à RS-239, que conecta o município à Serra, à região metropolitana e à capital. O mercado imobiliário aquecido é outra explicação. Segundo o corretor Vinicius da Rocha, a comercialização de imóveis em Araricá ocorre com facilidade, especialmente em razão dos preços.

“Araricá apresenta hoje maior facilidade na venda de imóveis e isso está diretamente ligado aos valores praticados, sobretudo dos terrenos, que influenciam toda a cadeia do mercado imobiliário local”, explica.

De acordo com Rocha, há forte presença de compradores do primeiro imóvel, especialmente vinculados ao programa Minha Casa, Minha Vida. Nesse cenário, Araricá se torna uma alternativa atrativa em comparação a municípios vizinhos, como Sapiranga.

“Há alguns anos, essa diferença de valores era bastante significativa, chegando a até 50% entre imóveis semelhantes. Hoje, essa diferença diminuiu, mas ainda varia, em média, entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, dependendo do bairro e do padrão do imóvel”, conclui.

Com mais gente morando, trabalhando e estudando em Araricá, a Prefeitura diz que trabalha para melhorar os indicadores do município, especialmente de educação e saúde, para conseguir acessar mais recursos para custeio e investimento junto aos governos estadual e federal.

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