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Tá pedindo passagem

A torcida brasileira tá na onda da Endrickmania

Com 19 anos, o guri se tornou o querido da torcida após a opaca atuação da estreia; mas Ancelotti deve preferir a obediência tática à criatividade juvenil

Guilherme Schmidt
Publicado em: 16/06/2026 às 22h:38 Última atualização: 16/06/2026 às 22h:38
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A pergunta mais feita após a decepção da estreia, com o frustrante empate com o Marrocos em uma atuação abaixo de qualquer expectativa, foi: quem você colocaria na seleção brasileira? E a resposta é unânime: Endrick!

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Endrick na seleção brasileira | abc+



Endrick na seleção brasileira

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Aos 19 anos, o atacante nascido em Taguatinga, no Distrito Federal, em 21 de julho de 2006 (20 dias após a eliminação da seleção para França na Copa da Alemanha), é o preferido da torcida, da crônica esportiva e até de craques como o tetracampeão Romário e o icônico Zico. O entrave? Carlo Ancelotti e seu pragmatismo tático.

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Após apostar em Igor Thiago na estreia, o técnico italiano, contrariando todos os pedidos, deve tirar o centroavante raiz, de área, e colocar Matheus Cunha (substituição que fez contra o Marrocos e, a bem da verdade, com poucos efeitos práticos).

Mas porque não colocar Endrick? A questão é tática. Segundo alguns especialistas que acompanham a seleção, o guri revelado no Palmeiras “tropeça” nas ordens de posicionamento do técnico. Inquieto, ele costuma buscar o jogo e Ancelotti o quer lá na frente, como referência, marcando saída de bola.

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Talento de “adolescente”

O que Carletto esquece é que esta “desobediência”, para um atacante, se chama criatividade, capacidade de chamar o jogo, talento, algo em falta nesta seleção burocrática e de pouca inspiração.

O Brasil campeão sempre teve um “rebelde” criativo, que desconcertava as defesas adversárias. Pelé, Garrincha, Tostão, Rivelino, Romário, Ronaldo, Ronaldinho…

Sim, temos Vini Jr. (única centelha criativa no jogo de estreia) e Raphinha (que está devendo brilho). Só que Endrick é a irreverência “adolescente” que falta no time.

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Longe de comparar ele com Pelé, mas na Copa de 1958 o garoto Edson pedia passagem. Entrou e encantou. Endrick não é Pelé, mas, quem sabe, é a chance do Brasil sair do marasmo tático e voltar a encantar o mundo.

Números a favor e contra o guri

Desde sua estreia na seleção principal, em 2023, Endrick fez apenas 4 gols em 17 jogos. Parece pouco, mas ele só atuou uma vez por 90 minutos (ainda com 17 anos), na derrota para o Uruguai, nos pênaltis, na Copa de América de 2024.

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Endrick tem apenas 4 gols na seleção brasileira | abc+



Endrick tem apenas 4 gols na seleção brasileira

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

No mais, foram cinco meias partidas (45 minutos) e 11 entradas de 15 a 20 minutos. Sua atuação no amistoso pré-Copa contra o Egito – que segunda-feira segurou a Bélgica – encheu os olhos da torcida. Claro que o atacante do Real Madrid, além da hesitação de Ancelotti (que já o preteriu até na época em que treinava o Real) tem concorrentes mais experientes no ataque.

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Matheus Cunha, 27 anos, do Manchester United, por exemplo, veste a amarelinha desde 2020 na seleção principal, tendo uma medalha de ouro olímpica, em 2021. Fez 23 gols no ciclo olímpico. Mas na seleção principal, em 24 jogos, só fez um gol.

Até por isso, Ancelotti chamou Igor Thiago, 24 anos, goleador na Liga Inglesa pelo Brentford. Com apenas cinco jogos na seleção, fez dois gols – a bem da verdade, um deles contra o fraco Panamá, semanas atrás, e outro em amistoso contra a Croácia, em abril, de pênalti, cavado, aliás, por Endrick. Ancelotti foi o único técnico a convocar Igor. Motivo? Tático. Queria um atacante clássico de área.

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A lista teria ainda a opção do novato Rayan – 13 dias mais novo que Endrick – que só tem dois jogos na seleção e um gol contra o Panamá. Apesar de ser atacante de lado, já atuou como centroavante. Mas sua entrada, antes de Endrick, seria uma surpresa e tanto.

Pragmatismo x surpresa

Por convicção, Carletto deveria manter Igor. Mas ele foi mal na estreia, inclusive, taticamente. Lento, não incomodou a zaga marroquina. Mas, mesmo que o Haiti defensivamente seja mais fraco que o Marrocos, o técnico tem que mexer para dar uma resposta a todos. E aí Cunha (que já foi o titular), com mais experiência, deve ser a opção ao lado de Vini e Raphinha.

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A gente ainda fica na torcida por Endrick. Afinal, Ancelotti já atendeu a torcida convocando Neymar (ainda fora do time); quem sabe, mais uma vez, atenda ao apelo popular e coloque o guri na sexta-feira, até para fazer a torcida voltar a se encantar com a seleção novamente.

 

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