A campo-bonense Aline Bieger, de 31 anos, vive mais um momento marcante em sua trajetória esportiva. Professora de Educação Física da Escola Municipal Floriano Peixoto e integrante da Secretaria Municipal de Educação (SMED) de Novo Hamburgo, cidade onde reside há 4 anos, ela foi convocada para defender o Brasil na 25ª edição das Surdolimpíadas de Verão (The Summer Deaflympics 2025), que será disputada entre 15 e 26 de novembro de 2025, em Tóquio, no Japão.

Foto: Divulgação/PMNH
Mais do que uma convocação, o feito coloca o nome de Aline entre os principais atletas surdos do mundo – e a torna a única mulher brasileira a competir no atletismo, nas provas de 100 e 200 metros rasos.
“É um orgulho enorme poder participar da minha segunda Deaflympics. Em 2022, em Caxias do Sul, fui finalista, e agora quero ir ainda mais longe”, celebra Aline.
A surdoatleta começou no atletismo aos 13 anos e, desde então, vem construindo uma trajetória marcada por superação e conquistas. Foi vice-campeã nos 100 e 200 metros e terceira colocada nos 400 metros nos Jogos Sul-Americanos de Desportos de Surdos, em 2023, em Guayaquil, no Equador, além de já ter conquistado muitas medalhas em competições nacionais.
Com tanta dedicação, Aline se tornou exemplo dentro e fora das pistas. O exemplo ecoa na escola onde leciona. “Quando a convocação foi divulgada, meus alunos ficaram muito felizes. É bonito ver o brilho no olhar deles, o interesse, as perguntas sobre o esporte e sobre o que significa representar o Brasil. Tento sempre mostrar que o esporte é uma forma de acreditar em si mesmo e de lutar pelos próprios sonhos”, diz Aline.
Ela conta como consegue conciliar o trabalho com os treinamentos. “Trabalho 20 horas na SMED e 20 horas na escola. Então preciso me organizar muito bem. Treino depois do expediente, com treinos de pista e de força. Trabalho o dia inteiro e treino depois. É cansativo, mas é o que amo fazer”, afirma.
No entanto, ser a única mulher brasileira do atletismo nas Surdolimpíadas é motivo de orgulho, mas também de reflexão. “Fico feliz, claro, mas gostaria que houvesse mais mulheres com índice para participar. Isso permitiria, por exemplo, formar equipes de revezamento. Representar o Brasil e o Rio Grande do Sul me enche de orgulho, mas ainda falta incentivo, reconhecimento e apoio financeiro.”
Vaquinha e rifa para ajustar a custear a viagem
O caminho até o Japão exige mais do que preparo físico – é também uma corrida contra os desafios financeiros. “Enquanto atletas de outros países vivem do esporte, nós precisamos trabalhar e ainda custear boa parte das despesas. Passagens, inscrições, uniformes… tudo é por nossa conta. Isso pesa, mas não me faz desistir”, relata Aline.
A atleta explica que, se já é difícil para atletas olímpicos conquistarem patrocínio, o cenário é ainda mais desafiador para os surdolímpicos, que contam com menos visibilidade e apoio. E é justamente essa falta de incentivo que torna cada conquista ainda mais valiosa. Para viabilizar a viagem e representar o Brasil em Tóquio, Aline precisa arcar com cerca de R$ 26 mil em despesas, que incluem passagem aérea, hospedagem, alimentação e uniformes.
Com a mesma determinação que leva às pistas, ela vem buscando alternativas para alcançar o objetivo. Criou uma vaquinha online e conta com o apoio da família, que organizou uma rifa beneficente – cujo prêmio é uma lareira – para ajudar nos custos da competição. Tanto o link da vaquinha quanto o da rifa podem ser encontrados no Instagram da atleta: @alineebieger.