A hamburguense Maria Luiza da Fonseca Ferrari, de 17 anos, já escreve um capítulo especial no esporte brasileiro. Com apenas dois anos de prática no snowboard, modalidade distante da realidade esportiva do país, ela está em Calgary, no Canadá, para disputar competições regionais e o Campeonato Mundial Júnior de Snowboard Park and Pipe.

Foto: Arquivo Pessoal
Maria Luiza integra a delegação da Confederação Brasileira de Desportos na Neve e é uma das três brasileiras na competição. Estudante do Ensino Médio da IENH – Unidade Fundação Evangélica, encara o Mundial como uma oportunidade de crescimento. “Por ser meu primeiro ano competindo, quero aproveitar a experiência, me divertir e aprender cada vez mais sobre como funcionam as competições”, afirma a atleta, que disputa o halfpipe.
Representar o Rio Grande do Sul e o Brasil, segundo ela, é a realização de um sonho antigo. “Representar o meu Estado e o meu País sempre foi algo que eu sonhei desde pequena. Ter essa oportunidade é um sentimento único e muito especial, e sou extremamente grata por todas as conquistas e experiências que o esporte tem me proporcionado.”
No convívio internacional, a jovem também desperta curiosidade. “Muitos competidores demonstram curiosidade e costumam perguntar principalmente sobre a falta de neve no Brasil e como eu faço para treinar quando não estou nas montanhas”, conta.
Fora das pistas, a rotina é marcada por disciplina: preparação física, reforço muscular e adaptações constantes à realidade local. “Eu vou adaptando os exercícios como posso. Sou grata pelos meus pais me ajudarem nisso tudo e à escola Fundação Evangélica por me apoiar também”, destaca.

Foto: Arquivo Pessoal
Inspiração
O ouro histórico de Lucas Pinheiro Braathen nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 ultrapassou o pódio e ecoou entre jovens atletas brasileiros. Para Maria Luiza, a conquista tem significado especial. “Ver atletas brasileiros conquistando grandes títulos é algo que me motiva e inspira muito. Essas conquistas mostram que é possível chegar longe e representam um grande incentivo para continuar treinando e evoluindo no esporte.”
Da pista de Gramado para o mundo
A trajetória ganha ainda mais significado quando se considera a origem. Nascida e criada em Novo Hamburgo, Maria Luiza teve o primeiro contato com o snowboard aos 15 anos, no Snowland, em Gramado. Em pouco tempo, ela chamou atenção pela evolução acelerada e passou a receber incentivo da equipe e dos treinadores do parque.
A família se revezava para levá-la aos treinos nos fins de semana. Com o avanço técnico, ela passou a integrar um grupo interno de treinamento e ampliou a rotina para dias de semana, sempre que conseguia conciliar horários e deslocamentos. Depois vieram apoios decisivos, como o incentivo de Elenilda Teixeira, mãe do atleta olímpico Augustinho Teixeira, e a orientação da treinadora canadense Karina Kasé.
Mãe de atleta olímpico elogia Maria Luiza
Além de ser mãe do atleta olímpico Augustinho Teixeira e incentivadora de Maria Luiza, Elenilda Teixeira ajuda a hambuguense no Canadá. Ela comenta a evolução da jovem.
“Estou muito orgulhosa da Maria. Para quem não sabe, este é um halfpipe olímpico. Cada parede tem 7 metros de altura. A largura da ponta de uma parede até a outra é de 22 metros. A atleta precisa ter um controle surreal da borda da prancha de um lado para o outro. A Maria evoluiu muito nesta temporada. Ela tem uma coragem que não se vê em muitos atletas! Um Mundial Júnior é uma competição de nível A, ou seja, é o mesmo nível de Copa do Mundo e Olimpíadas, só que júnior. Chegar até aqui e aterrissar uma descida é um êxito incrível dela. Parabéns, Maria! Parabéns, família!”, diz Elenilda.