Normalmente a gente iria para um jogo contra o Japão com a certeza da vitória. Bons tempos…
Nesta segunda-feira (29), às 14 horas, no NRG Stadium, em Houston, no Texas, Estados Unidos, o Brasil até entra como favorito, mas a seleção japonesa – a Samurai Blue – já não é mais aquela dos tempos em que o craque brasileiro Zico, o Galinho de Quintino, treinava os nipônicos em busca de ensinar como se jogava futebol. A seleção japonesa atual é rápida e taticamente sólida.

Foto: Divulgação/CBF
Mas, vamos lá, nossa seleção Canarinho é a maior campeã de todos os tempos e está em quinto no ranking Fifa (apesar de todos tropeços). Já os japoneses, que sequer passaram das oitavas em uma Copa, são 17o no ranking. Se os nipônicos chegam em alta, a nossa seleção também tem um de seus melhores momentos dos últimos anos.
Se os japoneses são velozes, o Brasil também tem sido. Vini Júnior vem fazendo o que todos esperavam: jogadas agudas, velocidade e gols. Até o discutido Lucas Paquetá parece estar ajustado ao esquema juntamente com Bruno Guimarães, com bons lançamentos e infiltrações.
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Apesar do mistério do técnico Carlo Ancelotti na coletiva de imprensa deste domingo (28), o Brasil está escalado até no uniforme. Vai com a farda tradicional: camisa amarela, calção azul, meia branca – o Japão terá camisa branca e calção preto.
Carletto deve repetir o time da goleada por 3 a 0 sobre a Escócia, com Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Vini Jr., Rayan e Matheus Cunha. No banco de reservas, Neymar (que em cinco jogos contra os japoneses desde 2012 já fez 9 gols) e Endrick encabeçam as mudanças mais ofensivas.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Como diz o ditado, quem vive de história é museu, mas a memória é sempre uma importante ferramenta na hora de se projetar o futuro. Brasil e Japão já se enfrentaram 14 vezes com suas seleções principais. São 11 vitórias brasileiras, dois empates e apenas uma derrota, aquela, no início da Era Ancelotti, em outubro do ano passado. Mas em circunstâncias muito diferentes – principalmente para o Brasil – das atuais.
Não vai ser fácil, como antigamente, quando nossa seleção jogava e os japoneses perdiam admirando os brasileiros, como na Copa de 2006, quando Ronaldo, Ronaldinho e cia fizeram 4 a 1. No último treino, ontem, no Shell Energy Stadium, no calorão de Houston, o clima era de confiança e tranquilidade.
Com garra e concentração, aliadas ao talento, a seleção brasileira deve cumprir seu ritual de avançar às oitavas, no estádio do time do Houston Texans, da NFL, uma arena para cerca de 70 mil pessoas que recebe anualmente o Houston Livestock Show and Rodeo, considerado o maior rodeio do mundo.
No nosso caso, a gente espera uma classificação sem muitos rodeios, se for possível.
Que Japão é esse?

Foto: Divulgação/Japan Football Association
Que o Japão não é mais uma “barbada”, todo mundo sabe. Ancelotti já encarou eles, em outubro do ano passado, e levou uma virada de 3 a 2.
Mas é bom lembrar que o Brasil estava em construção e Carletto mexeu muito na equipe após 5 a 0 na Coreia do Sul dias antes. Ele estava apenas no seu sexto jogo pela seleção, fazendo muitos testes. De lá para cá, nossa seleção mudou muito.
Já o Japão do técnico Hajime Moriyasu (no comando nipônico desde 2018) manteve a base, apesar de ter perdido por lesão seu capitão Wataru Endo e o atacante Kaoru Mitoma. Mas, mais do que individualidades, o forte japonês é a obediência tática e a velocidade, com toques de primeira para explorar rápidas infiltrações no ataque (o que exigirá muito da nossa zaga que às vezes é lenta na recomposição).
O goleiro Zion Suzuki tem se destacado, a zaga é segura e bem protegida, e, lá na frente, o camisa 10 Ritsu Doan é o cérebro, com o centroavante Ayase Ueda (2 gols) escorando e abrindo espaço a quem vem de trás (como o meia Kamada, também com 2 gols).
A Samurai Blue empatou com Holanda (2 a 2) e Suécia (1 a 1) e goleou a Tunísia (4 a 0) na primeira fase. É um time sólido, mas não é um bicho-papão.
E se a gente for às oitavas…
Se confirmar a sua passagem às oitavas nesta segunda-feira, a seleção brasileira encara Noruega ou Costa do Marfim, que jogam amanhã, terça (30), 14 horas, em Dallas.
Os noruegueses, que têm como destaque o goleador Haaland, vem em uma boa remada viking na Copa – mas pouparam o time contra França, sexta passada, e aí levaram 4 a 1. Já os costa-marfinenses, que surpreenderam fazendo 1 a 0 no Equador na estreia, resultado que fez eles avançarem pela primeira vez para os matas, tem o jovem atacante Yan Diomandé, 19 anos, como destaque.
Os dois times fizeram 6 pontos na primeira fase e terminaram em segundo nas chaves. Se tudo de certo hoje, o Brasil encara um dos dois no dia 5 de julho (domingo), às 17 horas, em Nova Jersey.
Passando às quartas de final, no dia 11 de julho, em Miami, o Brasil pode pegar Inglaterra ou México, por exemplo. Os argentinos seriam duelo só na semifinal (veja na página 3 os cruzamentos). Mas até lá muita zebra pode rolar.