Após deixar o Grêmio à beira de um rebaixamento no Brasileirão, em meio a críticas pesadas pelo futebol desorganizado apresentado em 2024 pelo time, Renato Portaluppi, 62 anos, foi anunciado como o novo técnico do Fluminense, substituindo um outro gaúcho (e ex técnico da dupla Gre-Nal), Mano Menezes, dispensado mês passado. E ele deve ser técnico do time carioca no inédito Mundial de Clubes da Fifa.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio FBPA
Renato fará a sétima passagem pelo tricolor carioca como treinador (a primeira foi em 1996, como “jogador-treinador” em um desesperado tampão para não cair no Brasileirão – o que só não ocorreu por causa de uma virada de mesa). Já foi campeão pelo Flu como jogador (com direito a um icônico gol de barriga na conquista do Campeonato Carioca de 1995) e campeão como treinador.
E como o Flu foi campeão da Libertadores 2023, Renato deverá estar, em junho, à beira do gramado no inédito Mundial de Clubes da Fifa deste ano, que será jogado nos Estados Unidos. O Flu estará na disputa brasileira ao lado de Palmeiras, Flamengo e Botafogo, campeões da América em 2012, 2022 e 2024, respectivamente.
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Ou seja, após viver o inferno tricolor gaúcho em 2024, enfrentando um período conturbado e até depressivo, Renato poderá viver daqui a dois meses a possibilidade da glória de levar um time brasileiro ao primeiro título deste novo mundial, algo que só um outro técnico brasileiro poderá viver, no caso, o flamenguista Filipe Luis – uma vez que o palmeirense Abel Ferreira e o botafoguense Renato Paiva são portugueses.
É a prova que o mundo dá voltas. E Renato, que até já sonhou em ser técnico da seleção (e muitos apoiavam isso, vista a grande fase no Grêmio de 2016 e 17), pode agora ter seu grande momento de renascimento. A chance do Flu ser campeão é baixa, visto os outros times que disputam a taça. E dos quatro brasileiros é o menos favorito neste momento.
Mas, como dizem, o futebol é uma caixinha de surpresas. E o sempre falante Renato vive esse mundo de surpresas intensamente. Como são duas vagas por chave, o Flu tem boas chances de avançar às quartas de final. Está no grupo com Borussia Dortmund (um adversário de peso, mas que entrou na disputa pelo ranking da Uefa) e os desconhecidos Mamelodi Sundowns e Ulsan, ambos classificados sem serem campeões, mas pelo critério ranking da África e Ásia, respectivamente. Ou seja, a tendência é Flu e Borussia classificados.
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Enfim, mesmo sem Grêmio ou Inter, o Rio Grande do Sul deverá estar representado por ele no Mundial deste ano, Os cariocas até chamam Portaluppi de Renato Gaúcho, mesmo que ele não use (e até não goste muito) esta alcunha.
Claro que Renato vai ter que convencer no comando do Fluminense até lá. Terá que ficar no cargo até o Mundial (o desafio já começa domingo, no Maracanã, contra o Bragantino no Brasileirão – o clube também disputa a Sul-Americana). Não é fácil. O chamado “time das Laranjeiras” limou técnicos de peso e campeões nos últimos anos (sempre substituindo eles pelo “tampão” Marcão): treinaram o Flu neste últimos três anos Abel Braga (aliás, foi seu último clube como técnico), Fernando Diniz e Mano.
Renato retorna ao clube com apoios importantes, como o agora capita do Flu, Thiago Silva, que antes de partir para Europa foi seu zagueiro quando conquistaram a Copa do Brasil, em 2007, e chegaram ao vice-campeonato da Libertadores em 2008.
É, nada como um dia após o outro. Renato Portaluppi é o representante gaúcho no primeiro Mundial (ou Super Mundial, como dizem alguns) de Clubes da Fifa. Gostem ou não, o “cara” está de volta. E com a bola cheia.