A Justiça tornou réu o ex-jogador do Juventude investigado por fraude e manipulação de competição esportiva e lavagem de bens, direitos e valores. A denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), à Vara Criminal da Comarca de Caxias do Sul em fevereiro deste ano, foi aceita na última quinta-feira (23).
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP

Foto: MPRS
Após a Justiça reconhecer a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade, o jogador passou a responder ao processo na 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.
O atleta é apontado como participante de um esquema de manipulação de apostas envolvendo partidas do Campeonato Brasileiro Série A de 2025, além da ocultação de valores superiores a R$ 1,9 milhão obtidos de forma ilícita.
LEIA MAIS: “Acabou minha paciência”, diz PM suspeito de matar ex e os pais dela em Cachoeirinha; ouça áudio
Segundo o promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, que assinou a denúncia, o jogador solicitou ou aceitou vantagem patrimonial para, de forma intencional, receber cartões amarelos em duas partidas do Brasileirão — uma realizada em 29 de março de 2025, em Caxias do Sul, e outra em 10 de maio de 2025, em Fortaleza.
“A investigação identificou que, em jogos nos quais o atleta era advertido, ocorria aumento atípico e concentrado de apostas no mercado específico de cartão de jogador, indicando possível conhecimento prévio do resultado por parte de apostadores”, destacou.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER
A denúncia aponta ainda que ele recebeu valores expressivos de empresas ligadas à exploração de apostas esportivas, os quais foram posteriormente ocultados e dissimulados por meio de movimentações bancárias incompatíveis com sua renda lícita declarada.
Operação Totonero
A Operação Totonero foi deflagrada pelo 5º Núcleo Regional do Gaeco – Serra, em 20 de maio de 2025, a partir de um procedimento investigatório criminal instaurado com base em informações encaminhadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e por entidades internacionais de monitoramento da integridade das apostas esportivas.
Foram cumpridos dois mandados de busca, um na casa do atleta e outro no Estádio Alfredo Jaconi, no armário de uso pessoal do jogador que atuava no clube na época.
A ação teve como objetivo apurar a manipulação de mercados secundários de apostas, especialmente relacionados à aplicação de cartões em partidas do Campeonato Brasileiro Série A. Nessa fase também foram deferidas diversas medidas cautelares, como quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático – que embasaram a denúncia apresentada.