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Copa em Novo Hamburgo

Filho de haitiana que vive em Novo Hamburgo disputa a Copa do Mundo e enfrentou o Brasil

Moradora do Vale do Sinos há quatro anos, Marie Dilene acompanha a trajetória do lateral Carlens Arcus, da seleção haitiana, que enfrentou o Brasil no mundial

Dário Gonçalves
Publicado em: 23/06/2026 às 19h:18 Última atualização: 23/06/2026 às 20h:01
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Enquanto milhões de torcedores acompanham os jogos da Copa do Mundo, uma moradora do bairro Canudos, em Novo Hamburgo, vive o torneio de forma ainda mais especial. Há quatro anos instalada na cidade, a haitiana Marie Dilene, 62 anos, acompanha à distância a trajetória do filho Carlens Arcus, lateral-direito da seleção do Haiti e um dos representantes do país caribenho no maior palco do futebol mundial.

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Marie Dilene e o neto Arcus Bilda Rikerley moram em Novo Hamburgo e torcem pelo filho na Copa do Mundo | abc+



Marie Dilene e o neto Arcus Bilda Rikerley moram em Novo Hamburgo e torcem pelo filho na Copa do Mundo

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

A participação haitiana na Copa chega ao fim nesta quarta-feira (24), quando a equipe enfrenta o Marrocos pela última rodada da fase de grupos. Antes disso, o Haiti já havia encarado a seleção brasileira (derrota por 3 a 0) e a Escócia (derrota por 1 a 0).

Na partida contra o Brasil, Arcus mostrou desde o início que faria uma marcação pesada contra os pentacampeões. Uma prova disso foi o cartão amarelo recebido logo aos três minutos após cometer falta sobre Vinicius Júnior.

Mesmo com a campanha difícil e a lanterna do grupo, a presença no Mundial representa a realização de um sonho antigo para o jogador de 29 anos, nascido em Porto Príncipe e atualmente atleta do Angers, da França.

Do Haiti para o Vale do Sinos

Antes de se firmar no futebol europeu, Arcus passou pelo Brasil ainda adolescente. O lateral integrou o projeto de formação do Olé Brasil, em Ribeirão Preto (SP), experiência que ajudou em seu desenvolvimento como atleta antes da mudança para a França, onde construiu toda a carreira profissional. Quando pode, vem ao Brasil reencontrar a mãe, mas costuma se hospedar em Gramado.

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Carlens Arcus e a mãe Marie | abc+



Carlens Arcus e a mãe Marie

Foto: Arquivo Pessoal

Já Marie vive em Novo Hamburgo desde 2022. Assim como milhares de haitianos que deixaram o país em busca de novas oportunidades, ela encontrou no Brasil uma nova casa. Hoje, acompanha a carreira do filho pela televisão, pelo celular e pelas redes sociais, mantendo contato frequente apesar da distância.

A adaptação ao Brasil também passa pelo aprendizado da língua portuguesa. Ela integra o Projeto Novos Imigrantes, desenvolvido pelo Centro Cultural Eintracht, de Campo Bom, que oferece aulas de português para estrangeiros que escolheram o País para recomeçar a vida. A iniciativa acolhe novos moradores da região e promover a integração entre diferentes culturas.

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Atualmente, o grupo reúne principalmente imigrantes haitianos e terá sua primeira turma certificada em julho. Coordenadora do projeto, Hebe Cardoso afirma que acompanhar a trajetória de Carlens Arcus na Copa do Mundo tem sido motivo de orgulho para os participantes. “Ver a trajetória do filho de uma de nossas alunas representando a seleção do Haiti é motivo de grande alegria para todos. Mais do que aprender um novo idioma, o projeto tem permitido construir vínculos, conhecer diferentes culturas e perceber que a diversidade fortalece a comunidade”, destaca.

Carlens Arcus teve que marcar Vini Jr. | abc+



Carlens Arcus teve que marcar Vini Jr.

Foto: Dan Mullan/Getty Images via AFP

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Entre o orgulho pelo Haiti e o carinho pelo Brasil

A participação do Haiti na Copa trouxe uma situação inusitada para Marie. Morando no Brasil e construindo sua vida no Vale do Sinos, ela precisou lidar com sentimentos divididos ao ver o filho enfrentar justamente a seleção do país que a acolheu. “Eu gosto muito do Brasil, mas no jogo eu torci pelo Haiti”, resume Marie.

O neto Arcus Bilda Rikerley, de 16 anos, também não esconde a torcida. “Minha vó acompanhou o Carlens por um tempo, morou na França e depois veio pro Brasil, em Novo Hamburgo. Eu vim direto do Haiti para cá e pretendemos comprar uma casa e ficar aqui em definitivo. Mas o Haiti é nosso país e torcemos por ele”.

Marie Dilene e o neto Arcus Bilda Rikerley moram em Novo Hamburgo e torcem pelo filho na Copa do Mundo | abc+



Marie Dilene e o neto Arcus Bilda Rikerley moram em Novo Hamburgo e torcem pelo filho na Copa do Mundo

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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Reencontro à vista

Enquanto acompanha os últimos compromissos do Haiti no Mundial, Marie já faz planos para rever o filho. Nesta semana, ela esteve em Porto Alegre para encaminhar a documentação necessária para viajar aos Estados Unidos, onde pretende encontrá-lo após o torneio. No domingo (28), ele completa 30 anos.

Independentemente do resultado da seleção haitiana, a Copa de 2026 ficará marcada para a família. Afinal, o sonho que Carlens Arcus repetia desde menino tornou-se realidade diante dos olhos da mãe, que agora também o aguarda em Novo Hamburgo.

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