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Há 20 anos

NOIA CAMPEÃO: Relembre a conquista da Copa Emídio Perondi no Estádio Santa Rosa

Ex-presidente e torcedores relembram o dia 12 de junho de 2005, quando o Anilado goleou o Brasil de Pelotas e ficou com a taça da competição estadual

Publicado em: 12/06/2025 às 11h:32 Última atualização: 13/06/2025 às 09h:33
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Nesta quinta-feira, 12 de junho, completam-se duas décadas do título do Novo Hamburgo da Copa Emídio Perondi. A conquista de 2005 está marcada na história como a penúltima volta olímpica do Estádio Santa Rosa, que não existe mais – enquanto estrutura física.

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Pôster do título do Noia da Copa Emídio Perondi, publicado na edição do Jornal NH do dia 13 de junho | abc+



Pôster do título do Noia da Copa Emídio Perondi, publicado na edição do Jornal NH do dia 13 de junho

Foto: Arquivo Jornal NH

No fim de tarde – ou início de noite – daquele domingo, o Anilado goleou o Brasil de Pelotas por 3 a 0 e ficou com o troféu. Com a conquista comemorada de forma fervorosa (por óbvio!), garantiu a vaga na Série C daquela temporada e na Copa do Brasil de 2006.

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Mudança de patamar

O saudoso estádio ficou na memória e no coração de muitos hamburguenses. E por mais que a conquista de 2017, com o Novo Hamburgo vencendo o Gauchão pela primeira vez (seu maior título), foi após a conquista da Copa Emídio Perondi que o clube passou a vislumbrar horizontes mais altos e mudar de patamar, e a crescer em nível estadual e, especialmente, nacional. 

Em um ano que começou a marcar o processo migratório do Santa Rosa para a nova casa – o Estádio do Vale (inaugurado em 2008), a união da direção e do conselho foi algo determinante, ressalta o presidente da época Bruno Fehse. “Tínhamos uma direção bastante unida, fechada, pois lembro que tinha comigo pessoas de infância e que eram torcedores do Novo Hamburgo. O Maneca foi uma pessoa, como sempre, fundamental. Conseguimos mostrar aos atletas que não haviam rupturas”, conta o presidente da época e torcedor ferrenho.

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Membros da direção e do Conselho do Noia, além de integrantes da Comissão de Patrimônio ao lado pedra fundamental do novo estádio, em 2005. Da esquerda para a direita: Christian Thomas, Ademir Moschem, Marco Kirsch, Márcio Jung, Rosalvo Johann (Maneca), Marcelo Bündchen, Roberto Schilling e Edgar Fedrizzi. | abc+



Membros da direção e do Conselho do Noia, além de integrantes da Comissão de Patrimônio ao lado pedra fundamental do novo estádio, em 2005. Da esquerda para a direita: Christian Thomas, Ademir Moschem, Marco Kirsch, Márcio Jung, Rosalvo Johann (Maneca), Marcelo Bündchen, Roberto Schilling e Edgar Fedrizzi.

Foto: Arquivo pessoal

Aquela foi a terceira passagem de Bruno Fehse em um cargo diretivo do Anilado, além de 1989, 1993/1994, e 2002 quando voltou como vice de futebol. Sucedeu Rosalvo Johann (o Maneca) na cadeira da presidência.

“Ainda hoje quando saio nas ruas percebo que aquele título da Copa Emídio Perondi segue vivo no imaginário da comunidade hamburguense. Tive a honra de ser o presidente do Novo Hamburgo naquela conquista. E como torcedor também foi algo incrível, da ansiedade do dia da partida contra o Brasil de Pelotas até a hora da partida. Ver o estádio cheio foi realmente incrível e poder comemorar, mais ainda”, conta Fehse. 

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Ele ainda relembra que, naquele ano, a equipe foi sendo montada ao longo da competição, e que o apoio da comunidade foi essencial. “O hamburguense é um torcedor exigente. Ele vai para o estádio quando a equipe mostra e faz isso valer a pena. Tivemos um início de competição não tão bom, em que percebermos as nossas carências de time, fizemos contratações pontuais na sequência. E para a decisão contra o Xavante, lembro que apelamos para que a comunidade de Novo Hamburgo nos apoiasse. E o que vimos foi um estádio cheio e uma torcida que nos abraçou e que se orgulha até hoje daquela conquista”, destaca.

Entre promoções e mobilização, o Noia chegava à decisão com a melhor campanha do torneio. Após o título da Emídio Perondi, o ano de 2005 ainda reservou boas lembranças ao torcedor anilado: o Novo Hamburgo conquistou a Copa FGF diante da Ulbra – última volta olímpica do Santa Rosa, e terminou em 4º lugar no quadrangular final da Série C do Brasileirão, batendo na trave naquele que seria o acesso à Série B e fecharia uma temporada incrível com chave de ouro.

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“Também para a Série C tivemos de encarar viagens e o apoio da época foi fundamental. O prefeito da época, Jair Foscarini (in memoriam) era um torcedor fervoroso do Noia. Sempre que podia ia aos jogos e nos apoiava. Foi assim em Belém do Pará, Natal e nos jogos aqui”, lembra Fehse.

Show em azul e branco

O que você fazia há exatos 20 anos? Talvez você não lembre, mas o torcedor do Novo Hamburgo guarda esse dia na mente como se fosse ontem. Para alguns, a primeira vez no estádio ao lado de um familiar querido. Não importa se você estava na social, no tobogã ou atrás do gol onde ficava a “geral do Noia”.

Em uma época em que mídias sociais e dispositivos não eram tão comuns, o espetáculo em azul e branco com pirotecnia, na noite do título, deu um colorido especial à conquista.

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“Lembrar desse dia 12 de junho é manter acesa uma chama necessária para um torcedor anilado tão vergastado pelos últimos anos. A conquista da Emídio Perondi naquele ano elevou o clube naquele momento, fazendo a gente chegar muito perto de uma classificação para a Série B. Aquela diretoria merecia mais. O sentimento de coesão no Noia como um todo naquele 2005 era muito grande e envolvente”, diz o torcedor Parahim Lustosa Neto, que já foi vice de Marketing do Noia.

Parahim foi um dos fundadores da torcida Fogo Anil. “Nossa torcida desde 1998 já vinha trazendo fogos e fumaça. Naquele dia, fizemos o show que o time merecia. Ficou pra história”, frisa.

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Social do Estádio Santa Rosa lotada para ver o Noia vencer o Brasil-Pel | abc+



Social do Estádio Santa Rosa lotada para ver o Noia vencer o Brasil-Pel

Foto: Arquivo pessoal

As memórias do torcedor renderiam um livro, com certeza. “O que mais me marcou nesta conquista é porque ela foi a primeira que tive meu irmão junto. Comecei a levar ele aos jogos em 2002. Também tinha um grande amigo que ia conosco aos jogos, o saudoso Liminha. Geralmente íamos aos jogos do Noia no Santa Rosa de ônibus”, pontua o torcedor Rafael Supptitz, que é um dos fundadores da torcida Paranoia. 

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Horas antes do jogo, as ruas Avaí e Vinte e Quatro de Maio já recebiam a concentração de torcedores do Anilado. Os xavantes, em algumas ruas espalhadas pelo bairro Vila Rosa e Centro, usavam estruturas provisórias para fazer o seu churrasco.

Houve aqueles que optaram em reunir-se com outros torcedores para viver a ansiedade pré-decisão. “Naquele dia, nos reunimos. Éramos umas 30 pessoas e almoçamos num espaço da empresa Carrocerias Weber, no bairro Primavera. Depois fomos para o entorno do estádio. Estava apreensivo, era um adversário difícil. Foi uma felicidade gigantesca, na época não havíamos ganhado nenhum título de grande expressão. Então, foi espetacular”, disse o torcedor Luciano Arnecke.

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Torcida Fogo Anil tapou a arquibancada com fumaça azul e branca | abc+



Torcida Fogo Anil tapou a arquibancada com fumaça azul e branca

Foto: Arquivo pessoal

O jogo

Depois de empatar o primeiro jogo contra o Brasil no Bento Freitas, em 1 a 1, o Noia chegou ao duelo de volta com a vantagem. Poderia fazer uso da boa fase do goleiro Luciano e não levar gol, que ficaria com o título. 

Os jogadores e a comissão técnica do Novo Hamburgo chegaram ao estádio às 16h15. Quando a bola rolou por volta das 18 horas, a luz dos refletores brilhou como o ponto de esperança de uma torcida que não sabia o que era comemorar um título em nível de primeira divisão estadual há 20 anos.

Os mais de 7 mil torcedores que foram ao templo do bairro Vila Rosa – que pulsava – depositavam total confiança na conquista. Trajado com seu tradicional uniforme azul anil, o Novo Hamburgo foi quem deu as coordenadas do jogo e venceu a partida. 

Aos 9 minutos da primeira etapa, Preto foi derrubado na área. Valdney de pênalti fez 1 a 0. Na segunda etapa, aos 6 minutos, o lateral-direito Rafael subiu na área e meteu de cabeça para o fundo das redes do Brasil: 2 a 0. Aos 42, foi a vez de Luiz Gustavo invadir a área e finalizar com pé-direito, fechando o placar em 3 a 0. A torcida anilada foi ao delírio ao comemorar o título, que rendeu além da comemoração da torcida e dirigentes no estádio, carreata em caminhão do Corpo de Bombeiros pela cidade.

Bruno Fehse comemora o título do ECNH à beira do gramado do Estádio Santa Rosa | abc+



Bruno Fehse comemora o título do ECNH à beira do gramado do Estádio Santa Rosa

Foto: Arquivo pessoal

 

Escalações

NOVO HAMBURGO 3

Luciano; Rosalvo (Marcelo), Dias e Sandro Blum (Neuri); Rafael; Márcio, Pedro Ayub, Preto e Alex; Luiz Gustavo e Valdney. Técnico: Gilmar Iser.

BRASIL-PEL 0

Marcelo Pitol, Régis (Manga), Rudi, Aládio e Evaldo; Careca, Paulinho, Marcos Tora e Jé; Silvano (Aiê Menezes) e Claudio Milar (Marcelo Fumaça). Técnico: Rogério Zimmermann.

E. C. Novo Hamburgo 3x0 Brasil/Pel - Nóia Campeão

Homenagem no Piratini

Um dia depois da conquista, o reconhecimento veio em nível estadual. Na época, o governador do Estado do Rio Grande do Sul,  Germano Rigotto, entregou no Palácio Piratini uma medalha do Mérito Rio-Grandense ao Noia. Dirigentes e atletas estiveram no local para receber a homenagem. “Ele (Rigotto) acabou tendo uma relação estreita com o Noia. Esteve presente também no lançamento da pedra fundamental do Estádio do Vale”, conta Bruno Fehse.

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