Enquanto Nordeste e Sul se encontram no mapa das tradições do futebol brasileiro, dois jogadores personificam essa conexão dentro do elenco do Novo Hamburgo. João Marcus e Romércio, zagueiros formados longe do frio gaúcho, carregam para o Vale do Sinos a identidade de uma terra também marcada por paixão, ritmo e resistência. Hoje peças importantes do Noia, eles terão, neste sábado, um dos maiores desafios da temporada: tentar conter o melhor ataque do Campeonato Gaúcho no confronto diante do Grêmio, que já anotou 14 gols, na Arena, às 18h30, em jogo que vale vaga na semifinal do Gauchão.

Foto: Wilber Dorneles/ECNH
Aos 33 anos, João Marcus é um dos líderes do grupo anilado e símbolo da continuidade do projeto que recolocou o clube na elite estadual após o título da Divisão de Acesso de 2025. Ao seu lado, Romércio, de 28 anos, chegou para a temporada e rapidamente assumiu protagonismo no sistema defensivo. Mesmo recém-chegado, o zagueiro não hesitou ao receber o convite do Novo Hamburgo.
“Quando eu recebi o convite, não pensei duas vezes. Eu já tinha passado pelo Juventude, acompanhei o Gauchão de fora e sabia que era um campeonato muito disputado. O grupo me abraçou, e o João foi um cara de quem me aproximei bastante. Quando eu cheguei, era nós dois que tínhamos que dar conta do recado”, relembrou.
O caráter eliminatório da partida, segundo João, exige concentração absoluta do início ao fim. Para o experiente defensor, o duelo será decidido nos detalhes. “Jogo único é muita concentração, muito foco e determinação. A gente vem trabalhando isso bastante nos treinos. Como tudo pode acontecer, o principal é manter o foco no que precisa ser feito durante os 90 minutos”, destacou.
Para tentar a classificação, o técnico Rogério Zimmermann deve escalar Omar; Mantuan, Romércio, João Marcus e Josué; Amaral e Carlos Maia; Rone, Henrique Ávila (Marcos Vinicius) e Allison; Luam Parede.
A partida terá transmissão da Rádio ABC 103.3 FM. Sob o comando de Eduardo Pires, o Pré-jogo terá início às 17 horas.
Entre paixão e competitividade: Nordeste e o Rio Grande do Sul na zaga anilada
Assim como no Rio Grande do Sul a roda de chimarrão, o lenço, o churrasco de fogo de chão e os CTGs representam mais do que costumes, no Nordeste manifestações como o frevo, o maracatu, o caboclinho e o São João cumprem papel semelhante. São expressões de pertencimento que não ficam guardadas em museus — vivem no jeito de falar, de celebrar e de competir. Essa herança acompanha João Marcus e Romércio agora inseridos em um futebol conhecido pela intensidade, entrega e identidade própria.
Romércio destaca que, apesar das diferenças, a adaptação foi natural. “O futebol nordestino tem uma torcida muito apaixonada. Aqui também é assim, mas lá o torcedor abraça ainda mais o time, comemora bastante. Muda uma coisa ou outra, mas a gente se adapta ao que é pedido em cada campeonato. Aqui nos adaptamos rápido para fazer um grande trabalho”, explicou o zagueiro.
Para João Marcus, a experiência no Sul exigiu assimilar um estilo mais físico e competitivo, sem perder as raízes. “O futebol do Sul é muito competitivo, é força, é disputa por espaço o tempo todo. A gente já vem de um futebol muito apaixonado, como é no Nordeste, e aqui consegue unir essa paixão com a força que existe no Rio Grande do Sul”, completou.
Dentro de campo, a sintonia entre os dois passa pelo diálogo constante. Romércio ressalta que a construção da dupla de zaga começa fora das quatro linhas.
“Primeiro é ter uma boa relação. Quem joga ali atrás tem que falar muito. A gente foi alinhando o jeito de jogar, e graças a Deus vem dando certo. Tomamos poucos gols e queremos seguir assim até o fim do campeonato”, afirmou. A defesa foi vazada em cinco oportunidades.
O desafio ganha ainda mais peso diante do ataque mais positivo do Estadual. Ainda assim, a confiança defensiva é um dos trunfos do Novo Hamburgo. “Assim como eles têm o melhor ataque, a gente também é uma das melhores defesas. Chegamos às quartas de final por mérito. É manter o foco e ser determinado no que tem que fazer”, reforçou João Marcus, que completou prometendo lutar até o fim. “Não vamos desistir de nenhuma bola. A gente acredita que as coisas podem acontecer”, concluiu.