A derrota do Grêmio por 4 a 2 para o Internacional, no Gre-Nal 449 de domingo (25), foi analisada por Luís Castro sob a ótica do “desequilíbrio emocional e coletivo em um curto intervalo do segundo tempo”. Na coletiva após o clássico, o treinador reconheceu que a equipe sofreu um colapso decisivo ao levar três gols em poucos minutos, cenário que, segundo ele, comprometeu qualquer possibilidade de reação no Beira-Rio.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Para Castro, o problema central não esteve ligado apenas à organização tática, mas à incapacidade do time de sustentar mentalmente o jogo em um momento crítico. “Uma equipe como a nossa, que sofre três gols em nove minutos, tem que tirar ilações grandes sobre o jogo e sobre como deve se equilibrar mentalmente”, afirmou. O técnico foi direto ao classificar o período como determinante para o resultado final: “A equipe desapareceu durante alguns minutos, e eles foram fatais. Se não fossem esses 9 minutos, teríamos vencidos, mas eles existem e fazem parte da partida.”
Falha coletiva
Questionado sobre erros individuais — principalmente de Weverton —, o treinador evitou apontar jogadores, mesmo diante de falhas defensivas que resultaram nos gols colorados. Castro fez questão de assumir a derrota como responsabilidade do grupo e também dele próprio. “Dizer que perdemos por causa de um jogador ou de um goleiro não é justo. A equipe toda perdeu. Foi um erro coletivo, inclusive meu”, disse.
Na avaliação do técnico, o Grêmio até conseguiu competir em parte do clássico, mas falhou justamente quando o jogo exigiu maior controle emocional. “Trabalhamos mal, fundamentalmente em um período de dez minutos que nos foi fatal”, reforçou, ressaltando que o problema ocorreu em um momento específico da partida.
Sem desculpas
Embora reconheça que o time ainda está em fase inicial de trabalho, Luís Castro deixou claro que o tipo de oscilação vista no Gre-Nal não pode se repetir ao longo da temporada. “Isso só pode ser considerado normal em um momento como este, de pré-temporada. Quando a temporada engrenar, não pode acontecer de forma alguma”, alertou.
O treinador indicou que ajustes serão feitos, tanto no comportamento coletivo quanto na leitura de jogo em situações de pressão. “Claro que temos que mudar algumas coisas. Essa é a grande lição que levamos”, afirmou, sem entrar em detalhes sobre mudanças imediatas na equipe.
Apesar do peso da derrota em um clássico, Castro tentou conter qualquer efeito prolongado sobre o elenco. Segundo ele, o impacto emocional é inevitável, mas precisa ser rapidamente absorvido. “Tem impacto negativo, sim, mas amanhã temos que nos levantar. É fundamental recuperar mentalmente a equipe”, declarou.
O técnico também afirmou que não permitirá que o resultado comprometa a confiança do grupo para a sequência dos compromissos. “Não vou deixar que essa derrota tire a confiança que temos para enfrentar as provas que estão pela frente”, garantiu, destacando que o trabalho ainda está no início.
Fala polêmica
Durante a coletiva, Luís Castro utilizou a expressão “dia negro” ao se referir à derrota, o que gerou forte repercussão fora de campo. “Foi um dia negro para nós, mas acabou”. A fala foi considerada como conotação racista e levou o treinador a se manifestar posteriormente, em nota, para pedir desculpas e afirmar que não houve intenção discriminatória.
“Venho a público pedir desculpa em relação à expressão utilizada no final do clássico deste domingo em conferência de imprensa. Em momento algum tive a intenção de praticar qualquer ofensa racista. Referi-me unicamente ao contexto do jogo. Reforço a minha posição de defesa da igualdade como valor social. Igualdade de oportunidades, raças e religiões. Reafirmo as minhas humildes desculpas. Respeito a aprendizagem com o compromisso de não repetir a expressão”, escreveu Castro em sua rede social.
O próximo compromisso do Grêmio é no Rio de Janeiro, na quarta-feira (28), a partir das 19h30 contra o Fluminense no Maracanã pela estreia do Campeonato Brasileiro.