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Opinião

Ivan Kley, um dos grandes nomes do nosso tênis

Nascido em Novo Hamburgo, Kley faz parte de uma elite do tênis nacional que esteve entre os 100 melhores do mundo - foram só 28 no masculino e 8 no feminino

Guilherme Schmidt
Publicado em: 04/04/2025 às 17h:21 Última atualização: 04/04/2025 às 17h:46
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Nas páginas esportivas dos anos 1980, nas notícias de tênis, Ivan Kley era figurinha carimbada, destaque que seria seguido também por outro hamburguense, Fernando Roese, que foi treinado por ele e até chegou a ser seu parceiro em jogos de duplas. Os jornais do Grupo Sinos – em especial o NH – destacavam os feitos, como as conquistas de títulos nacionais, entre 1984 e 1989, entre outros êxitos. E seus feitos influenciaram gerações, pois viveu o tênis intensamente no seu dias a dia desde o final da década de 1970, quando virou atleta profissional.

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Ivan Kley em quadra nos anos 1980/90 | abc+



Ivan Kley em quadra nos anos 1980/90

Foto: Reprodução/Linkedin Ivan Kley

Falecido precocemente, aos 66 anos (faria 67 em 29 de junho), em Itajaí, Santa Catarina, onde vivia há anos, Ivan Kley marcou uma geração do tênis aqui do Vale do Sinos acostumada a brilhar no cenário gaúcho, nacional e continental, com participações importantes no circuito mundial, chegando a 81 do mundo no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP), e também à posição 56 de duplas. Para se ter uma ideia, neste meio século do circuito ATP, apenas 36 tenistas brasileiros (28 homens e 8 mulheres) ficaram entre os 100 melhores do mundo. Jogou Wimbledon, Roland Garros e US Open.

Além de brilhar como atleta (começou nas quadras da Sociedade Aliança, em Hamburgo Velho, em uma época que o esporte era muito forte nos clubes da região, e depois foi para a Sogipa), também se destacou como treinador e professor na formação de tenistas. Sua academia, a ADK Tennis (parceria com o ex-tenista Patrício Arnold), em Itajaí era reconhecida nacionalmente. Expert no esporte, ajudou a desenvolver materiais como raquetes e bolinhas na indústria brasileira.

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Em uma entrevista à revista Lance!, em 2021, chegou a falar da sua batalha meio que por conta própria na carreira, em uma época que o marketing e a busca de patrocínios era uma batalha. “Meu hobby nos torneios era pegar os recortes de reportagem dos jornais quando tinha os eventos, ia botando em pastas, as quais guardo desde 1977. Comprava o jornal, botava na pasta, e isso ajudava para arrumar os patrocínios.” Teve até tênis All Star com seu nome.

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Desenvolveu o Método Ivan Kley de tênis para ensinar e formar tenistas profissionais com boas estrutura de apoio. Em quadra, como jogador, era destro e tinha estilo combativo e batida forte, direto como foi em vida, como muitos amigos e familiares o definiam, ressaltando sempre seu caráter e sinceridade. Repassou essa sua pegada e energia para as aulas e fundou a ADK, chancelada pela Confederação Brasileira do Tênis.

Voltou a se destacar recentemente no noticiário, só que musical, como o pai do talentoso Vitor Kley (que fez uma postagem-homenagem emocionada para o pai). Até falou, ao lado dele, ao vivo, na TV (no extinto programa global Encontro com Fátima Bernardes), sobre a vitória sobre momentos de depressão que enfrentou ao lado da esposa Janice dos filhos Bruno e Vitor.

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Seu trabalho no tênis, primeiro como jogador dedicado, e depois, nos bastidores, como professor (e já sem aquele corte de cabelo estilo Kevin Bacon dos anos 1980), sempre esteve em alta no circuito brasileiro como referência na formação de novos atletas, tendo sua academia como “um celeiro de jovens tenistas no País”. 

O esporte está de luto. Neste sábado ocorre a despedida, em Balneário Camboriú. Ficam as conquistas, a família, os amigos, os ensinamentos de um mestre naquilo a que se propôs: o tênis.

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