Entre remos e caiaques, as águas que correm no Rio Paranhana alimentam o sonho olímpico de um canoísta de Três Coroas. Aos 25 anos, Murillo Sorgetz, que integra a seleção brasileira de canoagem e também representa a Associação Trescoroense de Canoagem (Asteca) sonha em disputar os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos.

Foto: Divulgação
Para alcançar esse grande sonho, ele tem uma rotina de treinos diários, de segunda a sábado, no Parque das Laranjeiras, em Três Coroas. É neste lugar que ele usa o curso do principal rio da região para encarar desafios físicos, riscos de segurança, e obviamente se conhecer melhor como atleta. E todo esse empenho vem dando resultado, já que no Campeonato Brasileiro disputado no Rio de Janeiro ainda neste mês de novembro, Sorgetz alcançou três medalhas e foi o grande destaque da Asteca na competição nacional. Foram dois ouros (time trial do Caiaque Cross e na final das baterias), além de um bronze no Caiaque Slalom.
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Só que para atingir esses resultados é necessário ter regras, disciplina e muito foco. Do cuidado com a alimentação até o equilíbrio entre o mental e o físico. Afinal de contas, mais do que lidar com a preparação para uma competição, é preciso saber lidar com as imprevisibilidades que surgem antes das provas. “No slalom, por exemplo, as pistas mudam, porque nos nossos treinos somos nós quem montamos tudo. E geralmente na competição chegamos em uma pista desconhecida, o que exige uma frieza, disciplina e uma preparação muito grande”.
Três Coroas: uma fábrica de inspirações
Não é apenas o privilégio geográfico que faz de Três Coroas um bom lugar para praticar raft, canoagem e outros esportes nas águas do Rio Paranhana. Murillo entrou no mundo da canoagem aos 12 anos, enfrentando a resistência da mãe. “Ela tinha receio, não era muito adepta. Mas depois eu mostrei para ela que realmente gostava desse esporte e tinha inspirações aqui mesmo na cidade”, lembra. O sonho de um menino foi alimentado por essa terra acostumada a formar campeões.
O jovem buscava inspiração em ex-atletas naturais da cidade, como Gustavo Selbach e Cássio Petry. “Ter eles como inspiração foi algo que facilitou meu caminho e mostrou o que eu queria seguir. Meu primeiro mundial foi em 2016, na Polônia, teve como base esse incentivo. Porque um ano antes competi na seletiva nacional e fiquei em quarto lugar. E eu precisava ficar entre os três primeiros, e o Gustavo me incentivou. Também participei do Pan-Americano. Foram ótimas experiências”, pontua.
Competições em níveis nacional e mundial, mudança de ares e a independência que a busca por um sonho acabou moldando na vida do atleta.
Desafios no exterior e na enchente
Além das inspirações, Sorgetz amadureceu e busca equilíbrio em uma rotina de treinos, boa alimentação e estudos. Aos 16 anos, encarou desafios fora do Rio Grande do Sul em disputas nacionais e mundiais. “Na Polônia, foram experiências boas demais, que serviram para eu amadurecer. Foi necessária uma adaptação especialmente com relação a comida e idioma”.

Foto: Jauri Belmonte/Especial
Os desafios seguiram para o canoísta. Isso porque, em maio de 2024, o morador de Três Coroas sentiu na pele a força da natureza como boa parte dos moradores da Cidade Verde, quando a enchente atingiu a região e castigou o local de treino e impôs um desafio ainda maior ao canoísta.
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“Foi marcante, pois um amigo meu, que veio de São Paulo para competir, estava comigo. Ele ainda comentou sobre o rio estar alto. Pouco tempo depois, um bombeiro me ligou pedindo para eu ir ajudar nos resgates. Fomos para alguns bairros e em alguns locais tivemos dificuldade. Não é uma situação que estamos acostumados a nos deparar. Foi difícil”, conta.
Sorgetz também auxiliou em resgates de embarcação em cidades como Canoas e Porto Alegre. “O mais marcante foi no HPS, que precisou ser aberto um buraco na parede”. Na última disputa que participou, no Brasileiro no Rio de Janeiro, ele teve a companhia dos colegas de equipe: Guilherme Mapelli, que conquistou uma medalha de prata e um bronze; Natan Fros, que ganhou um bronze; e Igor Siebel, que ficou em quarto lugar.