Com a medalha de ouro no peito e o skate na mão, Maria Lúcia Rocha de Campos, 15 anos, retornou para Canoas após conquistar o lugar mais alto do pódio nos Jogos Pan-Americanos Júnior, em Assunção, no Paraguai. Realizada na última segunda-feira (11), a final da competição contou com nomes nacionais e internacionais da modalidade street.

Foto: Paulo Pires/GES
Ao lado do pai e treinador, Nilson Jesus de Campos, Maria Lúcia comemora a vaga garantida para os Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, em 2027.
“Não foi fácil, mas treinei bastante e o resultado veio. É sempre uma montanha-russa de sentimentos e sensações. Ouvir o hino nacional é um momento mágico. Cada competição é única e os aprendizados nela também. A pressão existe e é natural sentir medo de errar também. A diferença está na confiança, nos treinamentos e no apoio recebido pelas pessoas que acreditam na vitória”, destaca.
Sem patrocínio, a jovem fala dos desafios e sonhos
“É uma alegria ver todo mundo torcendo e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade grande. Quero continuar focada em evoluir e melhorar cada vez mais o nível. Meu maior objetivo é conquistar uma vaga na modalidade Skate Street nos Jogos Olímpicos de 2028. Os Jogos Pan-Americanos de Lima são indispensáveis para eu continuar sonhando com a chance de representar o Brasil nas Olimpíadas.”
Maria Lúcia enfatiza o suporte e a união da família em prol de sua carreira no skate.
“Sem meu pai, minha mãe e meus irmãos, tudo seria mais difícil ainda. É uma luta constante conseguir recursos para custear as viagens para competir. Vou seguir orando para Deus para continuar batalhando e vencendo as dificuldades.”
A jovem atleta enfatiza a importância da saúde mental para avançar no esporte.
“Além da saúde física, a saúde mental precisa acompanhar. A pressão, o nervosismo e a ansiedade não podem vencer. O frio na barriga é comum, mas é preciso saber lidar com as emoções e o psicológico. O preparador físico e terapeuta [Ricardo Costa Lima] que está comigo tem ajudado muito na minha evolução.”
Recuperação pós-enchente
Maria Lúcia mora com a mãe, o pai e dois irmãos mais novos. A família teve a casa atingida pela enchente em maio de 2024.
“Na época, a Maria ficou impossibilitada de treinar durante quase dois meses. O primeiro andar da nossa casa ficou submerso. Os móveis foram todos perdidos. Ainda seguimos nos recuperando. Ano passado, fizemos uma vaquinha para poder reformar e comprar algumas coisas para a casa. Ainda faltam várias coisas, mas seguimos firmes no propósito que é a carreira no esporte da nossa filha”, frisa Nilson.
Emocionado, o pai de Maria Lúcia relembra os primeiros passos da jovem.
“Ela nasceu para isso. É algo natural. O amor pelo skate passou de pai para filha. A Maria é uma campeã dentro e fora do esporte. Dedicada, focada, batalhadora e talentosa. Vai ganhar o mundo representando o Brasil, o Rio Grande do Sul e Canoas. Ela já é uma referência para as meninas canoenses e de outros lugares. Me sinto sortudo e muito orgulhoso por tudo que ela já fez e ainda vai fazer.”
Busca por patrocínio
Maria e a família seguem em busca de apoio privado e do poder público.

Foto: Fotos Ana Patricia/COB
“Ela já está trazendo resultado mesmo com toda a falta de estrutura. O apoio ainda é pouco. Às vezes, recebemos algum recurso financeiro da prefeitura para custear as viagens, mas ainda não é fixo. Estamos na batalha pelo apoio contínuo e também em busca de patrocínio de empresas”, afirma o pai.
Interessados em apoiar e/ou patrocinar a skatista podem entrar em contato pelo número (51) 99314-1875 ou via Instagram @marialuciask8.