No Dia do Montanhista, celebrado nesta terça-feira, 5 de agosto, Guilherme Winter, de 33 anos, morador de Igrejinha e natural de Taquara, alcançou o cume do Monte Elbrus, ponto mais alto da Europa, com 5.642 metros de altitude. A montanha localizada na Rússia é a terceira conquista oficial do projeto pessoal do alpinista, batizado de The Winter’s Window, que tem como meta escalar os cumes mais altos de cada continente – o desafio conhecido como Seven Summits.

Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Antes do Elbrus, Winter já havia subido o Kilimanjaro, na Tanzânia (5.895 m), o Aconcágua, na Argentina (6.961 m), e o Ojos del Salado, vulcão mais alto do mundo (6.893 m), situado entre Chile e Argentina. A jornada do Elbrus começou com a escalada de outra montanha da região: o Monte Kazbek, o mais alto da Geórgia, com 5.047 metros, há 180 quilômetros da montanha russa, onde a escalada levou cerca de 7 horas e mais 5 para descer. “Foi uma experiência muito interessante, a primeira vez que fiz duas montanhas acima de 5 mil metros juntas na mesma expedição”, conta.
A aclimatação na Geórgia incluiu vários dias de trekking e escalada em alta montanha, culminando com a chegada ao topo do Kazbek na manhã de 31 de julho. “Foram 12 horas de atividade extrema intensa. Praticamente todo o ataque foi caminhando sob gelo e neve, com uso de crampons e piolets”, relatou. Ele destacou ainda os desafios técnicos do trajeto e o esforço psicológico exigido: “Tolerar a dor, minimizar o cansaço, combater o medo, se distrair e ainda assim manter o foco são alguns dos fatores determinantes para o sucesso da expedição”.
Dificuldades
Após a aclimatação, Winter atravessou por terra a fronteira entre Geórgia e Rússia. A subida ao Elbrus teve início no vilarejo de Terskol, passando pelo refúgio Heart of Elbrus, a 3.800 metros, de onde partiu o ataque final ao cume na madrugada de 5 de agosto. Ventos de 55 km/h e neve intensa marcaram a escalada até o topo.
O montanhista conta também que em determinado momento, uma das escaladoras russas do grupo ficou com medo, colocando em risco a expedição. “Ela travou! E estando num grupo, se uma pessoa não está bem para continuar, todo o grupo precisa desistir e voltar. Isso era algo que estava mexendo com meu psicológico.”
“Às 8h03 do dia 5 de agosto de 2025, cheguei no topo da Europa, a 5.642 m de altitude, no Monte Elbrus. Que dia especial para se chegar ao cume de uma montanha, senão no Dia do Montanhista!”, escreveu Guilherme em suas redes sociais, em um relato marcado por reflexões sobre o estilo de vida do montanhista, os julgamentos sociais e o sentido de propósito. “Subir uma montanha importa sim. É um feito grandioso que demanda coragem, alma e, sobretudo, amor próprio”, publicou.
No lugar mais alto da Europa, Winter só pôde ficar sete minutos, pois o vento ameaçava derrubar o grupo. “Foi a montanha que eu consegui ficar menos tempo no topo para admirar a conquista. De um modo geral, essas montanhas foram mais fáceis do que as outras que já fiz, mas nenhuma montanha pode ser chamada de fácil. Toda montanha tem um desafio e toda montanha eu aprendo algo novo”, finaliza.
Com o Elbrus riscado da lista, o montanhista já planeja os próximos passos do projeto: Carstensz (Oceania), Denali (América do Norte), Vinson (Antártida) e, por fim, o Monte Everest, no Nepal, ponto mais alto do planeta. O projeto pode ser acompanhado pelo Instagram @thewinterswindow.