Espanha confirma o favoritismo dentro de campo
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A final da Copa do Mundo será entre Espanha e Argentina. Se a presença dos argentinos surpreendeu parte dos analistas, a da Espanha é consequência de um futebol consistente durante toda a competição. A vitória sobre a França foi incontestável. Apontada por muitos como a principal favorita ao título, a seleção francesa foi dominada do início ao fim por uma equipe organizada, intensa e que soube controlar o jogo com a bola. A Espanha chega à decisão não apenas pelo talento de seus jogadores, mas por apresentar o futebol mais coletivo e equilibrado deste Mundial.

Foto: CHARLY TRIBALLEAU/AFP
Messi faz a diferença
A Argentina enfrentou dificuldades ao longo da campanha e, em alguns momentos, também foi beneficiada por erros de arbitragem. Mas reduzir sua classificação a esses episódios seria injusto. O grande diferencial veste a camisa 10. Lionel Messi continua reescrevendo a história do futebol, quebrando recordes e decidindo partidas quando a pressão é máxima. Sua liderança técnica e emocional elevou o nível da equipe e criou uma seleção que raramente se entrega. É justamente essa capacidade de reação que desperta admiração e, inevitavelmente, uma ponta de inveja no torcedor brasileiro.
A grandeza de um rival
No caso da Argentina, a discussão nem passa por escolher para quem torcer. A rivalidade histórica entre brasileiros e argentinos é inegável, mas ela nunca impediu o reconhecimento das qualidades do adversário. Pelo contrário. Ninguém elege como principal rival um time pequeno ou irrelevante. A dimensão de uma rivalidade revela também a grandeza dos dois lados. O Brasil respeita a Argentina porque sabe o tamanho do futebol argentino. E os argentinos, da mesma forma, reconhecem a importância do Brasil.
A covardia inglesa
O que mais chamou atenção na derrota da Inglaterra para a Argentina não foi a virada, mas a postura inglesa depois de abrir o placar. Em vez de manter a proposta de jogo, a seleção praticamente abandonou o ataque e passou a sobreviver dentro do próprio campo. Foram raríssimas as vezes em que conseguiu ultrapassar a linha do meio-campo. Para uma equipe campeã do mundo e acostumada às grandes partidas, foi uma atuação vergonhosa.
A força da reação argentina
A Argentina aproveitou o espaço que recebeu e fez a sua melhor apresentação na Copa. E teve Lionel Messi comandando todas as ações. A pressão aumentou minuto a minuto até a virada nos instantes finais do tempo regulamentar, resultado que premiou quem buscou o gol o tempo todo. O feito argentino merece reconhecimento, mas a semifinal também ficará marcada pela postura covarde da Inglaterra, que preferiu defender uma vantagem mínima em vez de tentar decidir a classificação.
O Brasil assiste de fora
Os torcedores brasileiros estão se acostumando a acompanhar os grandes jogos da Copa do Mundo como espectadores. Desde o pentacampeonato, em 2002, quando venceu a Alemanha na final, a Seleção não consegue superar um adversário europeu em confrontos eliminatórios. Vieram as eliminações para França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Croácia e, agora, Noruega. Não se trata mais de um acidente de percurso, mas de um padrão que se repete há mais de duas décadas.
O velho complexo voltou
Esses números exigem uma reflexão profunda. O Brasil continua produzindo grandes jogadores, mas perdeu a convicção de que pode enfrentar as principais seleções europeias de igual para igual. Em muitos momentos, entra em campo mais preocupado em não errar do que em impor seu futebol. É impossível não lembrar de Nelson Rodrigues e do “complexo de vira-latas”. A questão já não é apenas técnica. Existe também um componente psicológico que precisa ser enfrentado para que a Seleção volte a disputar Copas com personalidade e confiança.