Na cidade da Nasa, Brasil decola para as oitavas da Copa
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Houston, o Japão teve um problema! Ele não esperava que o Brasil decolasse no segundo tempo. Na cidade onde os foguetes da Nasa alçam voo, o Brasil decolou para as oitavas de final da Copa do Mundo. E foi com emoção! Mais do que precisava, vamos combinar. Tudo bem que não faltaram alertas, inclusive aqui nesta coluna, de que o Japão sabia sim jogar futebol. Aquele Japão que perdia de goleada para o Brasil em Copa do Mundo ficou em 2006. Dos 26 convocados pelo técnico Hajime Moriyasu, 23 atuam na Europa.
Mas podia ser menos sofrido. O gol de Martinelli nos acréscimos foi uma injeção de adrenalina e alívio na torcida brasileira. Passado o êxtase, é hora fazer a lição de casa. Daqui pra frente, os confrontos serão cada vez mais duros. No próximo teremos pela frente Costa de Marfim ou Noruega. Será mais que um jogo. Será um embate físico.
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Foto: Divulgação/FIFA
Houston, we have a problem
Mas se o Japão sentiu o peso da camisa pentacampeã, nós também temos nossos problemas, como o jogo de ontem demonstrou. O Brasil até começou bem, mas o passe errado de Danilo no meio-campo e o gol de contra-ataque do Japão desestabilizou a seleção. A marcação ajustada e a transição rápida japonesa deram dor de cabeça para nossa defesa, especialmente no primeiro tempo. Veteranos, Casemiro e Danilo tiveram dificuldades em correr para trás e acabaram amarelados. Um alerta para Carlo Ancelotti. Nas próximas fases, o Brasil poderá ter pelo caminho atacantes como Yan Diomandé, Haaland, Harry Kane, Messi… O sarrafo será mais alto.
Outro ponto de atenção é a dificuldade do time de Ancelotti em furar defesas fechadas. Numa parte considerável do jogo, o Brasil foi burocrático, dando passes laterais e alçando bolas na área de maneira protocolar. Com as entradas de Endrick e, especialmente, Martinelli, o Brasil reassumiu as rédeas do jogo.

Foto: @neymarjr
De vilão a salvador
De atuação comprometedora no primeiro tempo e postulante a vilão em caso de desclassificação, Casemiro encontrou a redenção que só o esporte proporciona com o gol de empate. Na hora em que o calo aperta, os chamados jogadores de hierarquia, cascudos no linguajar de Renato Gaúcho, precisam aparecer. Foi o que Casemiro fez. Martinelli, outro homem de confiança de Ancelotti, mostrou que tem estrela e o mister conhece do riscado. Jogador operário, estava no lugar certo, na hora certa.
Pilar no meio-campo
Ao lado de Vini Jr, Bruno Guimarães tem sido determinante para o Brasil. Com atuação irregular no amistoso contra o Panamá, pré-Copa, chegou-se a pedir Danilo, do Botafogo, no seu lugar. Mas o desempenho nesta Copa sepultou este pedido. É o maior garçom desta edição. Com a assistência para Martinelli, ele chegou a quatro. É um dos pilares do time de Ancelotti e o jogador com mais passes em toda a Copa: 394 e precisão de 96%.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Na fogueira, Endrick serve
Ancelotti tem currículo, mas tem umas teimosias típicas de treinador. Na hora em que o foguete do Brasil quase deu ré, ele confiou em Endrick para entrar num jogo que poderia encerrar carreiras. Mas para entrar contra Escócia, Haiti, Marrocos, adota cautela e o discurso de que Endrick é o futuro.
Matheus Cunha tira onda
Após a vitória brasileira, o “surfista” Matheus Cunha tirou onda com os japoneses, espalmou a mão indicando o número cinco e gritou quantos títulos o Brasil tem em Copa do Mundo. A provocação foi uma resposta ao atacante japonês Kento Shiogai, que desdenhou da seleção. Camisa ainda pesa e é preciso levar isso em conta na hora de abrir a boca.
Pintou a zebra
Camisa pesa, mas não garante vitória. Que o diga a Alemanha. Numa disputa acirrada nos pênaltis, perdeu para o Paraguai. Gustavo Gomez e Maurício, do Palmeiras, marcaram. Balbuena, do Grêmio, quase que entregou o ouro desperdiçando a última cobrança. Mas a primeira zebra da fase eliminatória pintou.
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